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Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - I
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Após encerrarmos a série de artigos em que
focalizamos, sucintamente, a História da colonização do Norte do
Paraná pela Companhia de Terras, faremos, doravante, e sem qualquer
pretensão de querermos ser "o dono da verdade", abordagens
fundamentadas em documentos e depoimentos de pioneiros, que com garra e
determinação, fizeram a HISTÓRIA DE NOSSA TERRA - NOSSA GENTE. Aos que
já se foram ou ainda sobrevivem e seus respectivos descendentes, os
agradecimentos e as homenagens da família apucaranense pelo legado que
deixaram à presente e as futuras gerações.
Pioneiro - E abrimos este espaço com o significado
da palavra pioneiro que, segundo o lexicólogo Aurélio Buarque de Holanda
Ferreira "é o explorador de sertões; o primeiro que abre ou
descobre caminhos através de região mal conhecida. Diz-se da obra,
serviço, iniciativa, idéia, etc, que se antecipa ou abre caminho a
outros iguais ou similares".
Depoimento - Em um artigo inserido no Álbum
Histórico do Jubileu de Prata de Apucarana, o engenheiro civil Joaquim
Vicente de Castro conta: "Sou o primeiro pioneiro de Apucarana.
Sempre recusei aos meus familiares fazer minha autobiografia e creio,
teria muito material para esse fim. Ocupadíssimo, nada impede que aceite
dialogar com qualquer interessado sobre os primórdios de Apucarana. Em
meados da segunda década deste século (XX) fui, por aproximadamente por
um ano, engenheiro chefe da Secção de Obras Públicas do Estado, no
Governo do dr. Caetano Munhoz da Rocha. Ainda não existia a Companhia de
Terras Norte do Paraná. Estava na cogitação dos ingleses chefiados por
Lord Lovat a formação da futura madrasta de Apucarana".
A boiadeira - "Na época - prossegue - por
empenho do sertanista Manoel Mendes de Camargo e outros, o governo
estadual determinou que o topógrafo Roberto Gilhedon implantasse um
picadão: a boiadeira que, partindo de Tereza Cristina nas margens do rio
Tibagi-Ivaí aproveitando pequenas águas que vertessem para ambos os
rios, continuando rumo a Mato Grosso, seu destino. Ele cruzou o córrego
hoje chamado Barra Nova, então Cocho Comprido por terem aí deixado tal
utensílio. A duras penas a boiadeira avançou até o pequeno riacho que a
turma denominou de Mata Sede, inclusive suas margens, hoje Jandaia do Sul.
No local, a sombra de índios fez que a turma de penetração recusasse
apavorada para nunca mais voltar". |
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Dr. Joaquim Vicente de Castro (1897 - 1985), junto ao
MARCO GRANDE, nome primitivo de Apucarana |
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Valorosos Sertanejos - "Os Sutil, grupo de
famílias entrelaladas originárias de Assungui de Cima, sonhadores do
campo-de-vaca-branca, o verdadeiro paraíso terrestre que imaginavam, por
lenda, situar-se no Oeste paranaense, entraram pela boiadeira e para seu
sustento e conforto foram plantando roças e levantando casebres rústicos
pelo caminho e, sempre avançando durante alguns anos, chegaram em
Mata-Sede. Garantido e retaguarda ficaram alguns deles formando pequenas
aldeias, com as dos França e de Marilândia. Conheci ali algumas
famílias desses valorosos e pacíficos sertanejos, como sejam: a dos Lino
e dos Franças, e, em nossa zona, provisoriamente radicados, a dos
Cordeiro e a dos Xavier", esclarece o dr. Joaquin.
Prefeito de Londrina - "Entrei aqui antes de
ser o primeiro prefeito de Londrina, cujo o cargo assumi em 10 de dezembro
de 1934. Parti de Jataizinho montando em minha besta e acompanhado pelo
meu amigo Augusto Jopert cavalgando outra por mim alugada. Passamos por
Londrina, na época um grande acampamento, atravessamos Cambé com seu
único barracão de palmiteiro destinado ser bar pertencente ao sr. Cravo,
corretor da Companhia. Prosseguindo encontramos uma esplanada natural onde
ardia a mata derrubada que seria Rolândia, no fim da estradinha de três
metros de largura e mal terminada. Continuamos pela picada de avançamento
de agrimensura da Companhia, na qual ao anoitecer, encontramos um camarada
que nos aconselhou entrarmos por um trilho à esquerda que nos levaria a
uns ranchos de caboclos desconhecidos. De facão aviventamos a vereda,
passamos por um marco gigantesco bem lavrado em madeira de lei. Estávamos
na picada divisória feita abrir pelo dr. Ulisses Medeiros, do
Comissariado de Terras, ficando as terras da Companhia à direita e as da
sesmaria das Três bocas à esquerda. Prosseguindo saímos na boiadeira o
logo em seguida avistamos uma luzinha".
Paraíso estava aqui mesmo - "Chegamos ao
rancho de casal simpático, abrigado com seus filhinhos; ele de meia
idade, cabelo escuro, alto, espadaúdo, nos ofereceu a pousada. Logo em
começo de conversa nos disse ter aderido aos Gentis. Chamava-se Jonas
Silva. Disse ter sido criado por meu avô Agostinho Vicente da Silva.
Visinhava com o velho Ildefonso Xavier, situando-se suas morada na água
do Cocho Comprido, a menos de um quilômetro do marco. Envolto pela
grandiosidade da floresta tropical, num clima temperado e doce, acrescido
do oxigênio, imaginei diferente dos Sutil que o paraíso estava aqui
mesmo.Ainda grandemente emocionado por ouvir o desconhecimento pronunciar
o nome de minha mãe e minhas tias, tomei uma decisão. Nesse momento
prometi a mim mesmo, instalar naquela zona uma fazenda minha. Em Curitiba
adquiri a área que eu desejava da firma Kosop, Wolf & Cia., nela
abriu a Juruba, nome que também dei ao córrego principal".
Nome primitivo de Apucarana - Diz ainda o dr.
Joaquim que "O MARCO GRANDE, foi por alguns anos a denominação de
toda a região que depois se chamou Apucarana. O chalezinho que
posteriormente construí e habito está, exatamente, junto do famoso marco
em terreno anexo que comprei da Companhia.
Pioneiros - Esclarece também o dr. Joaquim que
"o segundo pioneiro foi o sr. Carlos Schmidt, a quem emprestei o meu
cavalo de montaria por algum tempo. Então eu já possuía pastagem e
plantava café. O terceiro pioneiro, sr. Manoel dos Reis - fundador da
Vila Reis - foi meu hóspede no maior rancho da zona, edificado com
tábuas lascadas de pinho de tabuinhas bem alinhadas, na alta cabeceira do
Juruba, sendo eu o mestre da construção. Chegando à estradinha onde
seria cidade de Apucarana aí se fixaram animados pioneiros, muito dando
de si para o bem público a ponto de fazê-la êmula de Londrina, sede
administrativa da Companhia de Terras, na qual despertou ciumada e
relativa omissão".
Classificado os verdadeiros pioneiros, enfatiza que "os estoicos
nômades como os Gentis, não considero pioneiros. O mesmo não direi do
meu velho amigo Benevides Mesquita, o impávido que atravessou toda esta
floresta tropical numa bela montaria, que a serviço da Companhia de
Terras Norte do Paraná procedia o levantamento cadastral dos moradores
intrusos das terras, aos quais com transbordante nacionalismo, dava
conselhos paternais para se afastarem após suas colheitas, evitando o
incômodo dos despejados. Ele, Benevides é o pioneiro residente em
Apucarana", conclui o dr. Joaquim Vicente de Castro. |
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