Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às sextas-feiras :.
      Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - II

O município de Apucarana está localizado no Terceiro Planalto Paranaense ou Planalto de Guarapuava. É a região mais extensa do relevo paranaense. Inicia-se na Serra da Esperança e suas altitudes variam de 1.850 metros a leste, a 300 metros a oeste, na região do rio Paraná.

Entre as principais cidades do Terceiro Planalto, destacam-se Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava, Palmas, Campo Mourão, Umuarama, Maringá, Apucarana e Londrina. Situam-se nesse Planalto as Serras do Cadeado, do Boi Preto, São Francisco e Fortuna.

O Primeiro Planalto é o de Curitiba, que se inicia junto à Serra do Mar e estende-se para oeste, até a escarpa da Serra Geral.


Homero Alcântara

O Segundo Planalto ou Planalto de Ponta Grossa, possui suas maiores altitudes a leste, abrangendo 1.100 a 1.200 metros, e as menores localizam-se ao norte e possuem de 350 a 560 metros de altitude.

Origem do Nome - Segundo o historiador paranaense Alfredo Romário Martins (1874-1948) "a região admirável de recursos e de belezas, a Serra de Apucarana (APÓ-CAARÃ-NÃ) era a atalaia dominadora do Atibagiba, descortinador dos valores florestais do Norte ao Ocidente, até onde corre o Paranapanema, como um fio branco, no horizonte de ocasos deslumbrantes.

APÓ = a base; CAARÃ = semelhante à floresta; = imensa, que com a própria mata se assemelha, onde se origina, donde se alonga, que com ela se confunde na grandiosidade; quando mais nos aproximamos do penedo, mais o mato ia desaparecendo, até terminar em rasteio faxinal", e chegados que lhe fomos perto, vimos em parte era coberto de musgo tão macio como veludo e matizado de mil cores rutilantes.

O mais belo céu do universo brilhava sobre as nossas cabeças e, estendidos como um mapa a nossos pés, vimos rolar caudalosos rios atravessando as mais pitorescas e majestosas florestas do Brasil.

O rio Tibagi depois de atravessar a Serra do Agudos, serpenteava por vageados a rumo N.N.O., mais longe via-se o brechão do Paranapanema cortando o sertão de leste a oeste; lá no extremo horizonte, uma linha apenas visível que se estendia de N.E. à S.O., mostrava o grande gigante do Paraná.

O que se vê de Apucarana não é apenas paisagem grandiosa e bela em derredor, em léguas de amplidão. Os rios rolando para oeste que abrindo veredas na floresta imensa e exuberante, espadando na serradeira, precipitantes nas quedas d´água. Os campos verdes e desertos, as montanhas azuis da mesma cor do céu, com ele roladas para a terra.

O que se vê de Apucarana é o Paraná do futuro. A floresta, a orilha das lavouras onde a maquinário agrícola, ara, semeia e colhe as sementes do porvir, na terra bendita e boa. São as estradas de penetração e os rios movimentados pelo comércio de transportes a vapor. São as quedas d'água, as máquinas industriais. São as grandes cidades do futuro que se apresentarão ao longo do Paraná, do Paranapanema, do Tibagi, do Ivaí, do Corumbataí, do Piquiri e do Iguaçu.

Neste dia, do alto de APUCARANA, alguém há de olhar de novo a imensidade que lá se destina e, de joelhos, "no veludo de cores rutilantes" que a reveste, há de agradecer ao Criador da obra prima na natureza americana, o haver dado ao Paraná, a Terra Prometida!

Depoimentos - Concluindo o depoimento do dr. Joaquim Vicente de Castro, ele conta que "José Lino, chefe dos tropeiros da Companhia de Terras Norte do Paraná, foi um dos últimos Sutis que permaneceu desgarrado tendo seu bom acampamento onde hoje está instalado o Comafrig (King Meat). Apanhamos aqui a epidêmica febre amarela Silvestre. Por minha conta exclusiva liguei por uma picada com mais de dez léguas, Mata Sede às ruínas de Vila Rica do Espírito Santo, confluência do Corumbataí e Ivaí, dando saída aos intrusos desta zona que, certamente, foram radicar-se em Campo Mourão e Campina da Lagoa, o seu sonhado Campo da Vaca Branca. Estavam ligadas as minhas duas fazendas: Corumbataí e Juruba. Apucarana, dia da Proclamação da Republica, comemorado em 1968. a) Dr. Joaquim Vicente de Castro".

Fazenda Três Bocas - Conta Eurides Moreira de Almeida que "em três de maio de 1925, levantei as águas da Fazenda Três Bocas. Em março de 1926, encontrei picadas de engenharia onde hoje está o posto Zacharias (atual Matrix, na saída para Arapongas). Encontrei um marco com as letras p.p. planalto pelos engenheiros Edes Palhano e Odilon. Abri picadas a foice até a lagoa de Arapongas".

Marco de Apucarana - "Em 1929, fui eu o fundador do Porto São José. Em 1936, residi no lugar onde o engenheiro colocou o marco de Apucarana", diz José Rodrigues de Souza.

Fazenda Eldorado - Homero Alcântara, que diz ter se fixado em Apucarana no dia 15 de janeiro de 1936, esclarece que "comprei a primeira fazenda em 1925, data que conheci a região de Apucarana, junto a hoje conhecida Fazenda Eldorado, atualmente município de Marilândia do Sul. Meus pais foram fundadores de Jacarezinho. Comecei fazendo benfeitorias em minha fazenda, trazendo capim de São Paulo, em 1927, passando por Jataí em canoa, animais de cargueiro e a nado pelo rio Tibagi, via São Roque".

 


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