APÓ = a base; CAARÃ = semelhante à
floresta; NÃ = imensa, que com a própria mata se assemelha, onde
se origina, donde se alonga, que com ela se confunde na grandiosidade;
quando mais nos aproximamos do penedo, mais o mato ia desaparecendo, até
terminar em rasteio faxinal", e chegados que lhe fomos perto, vimos
em parte era coberto de musgo tão macio como veludo e matizado de mil
cores rutilantes.
O mais belo céu do universo brilhava sobre as nossas
cabeças e, estendidos como um mapa a nossos pés, vimos rolar caudalosos
rios atravessando as mais pitorescas e majestosas florestas do Brasil.
O rio Tibagi depois de atravessar a Serra do Agudos,
serpenteava por vageados a rumo N.N.O., mais longe via-se o brechão do
Paranapanema cortando o sertão de leste a oeste; lá no extremo
horizonte, uma linha apenas visível que se estendia de N.E. à S.O.,
mostrava o grande gigante do Paraná.
O que se vê de Apucarana não é apenas paisagem
grandiosa e bela em derredor, em léguas de amplidão. Os rios rolando
para oeste que abrindo veredas na floresta imensa e exuberante, espadando
na serradeira, precipitantes nas quedas d´água. Os campos verdes e
desertos, as montanhas azuis da mesma cor do céu, com ele roladas para a
terra.
O que se vê de Apucarana é o Paraná do futuro. A
floresta, a orilha das lavouras onde a maquinário agrícola, ara, semeia
e colhe as sementes do porvir, na terra bendita e boa. São as estradas de
penetração e os rios movimentados pelo comércio de transportes a vapor.
São as quedas d'água, as máquinas industriais. São as grandes cidades
do futuro que se apresentarão ao longo do Paraná, do Paranapanema, do
Tibagi, do Ivaí, do Corumbataí, do Piquiri e do Iguaçu.
Neste dia, do alto de APUCARANA, alguém há de olhar
de novo a imensidade que lá se destina e, de joelhos, "no veludo de
cores rutilantes" que a reveste, há de agradecer ao Criador da obra
prima na natureza americana, o haver dado ao Paraná, a Terra Prometida!
Depoimentos - Concluindo o depoimento do dr.
Joaquim Vicente de Castro, ele conta que "José Lino, chefe dos
tropeiros da Companhia de Terras Norte do Paraná, foi um dos últimos
Sutis que permaneceu desgarrado tendo seu bom acampamento onde hoje está
instalado o Comafrig (King Meat). Apanhamos aqui a epidêmica febre
amarela Silvestre. Por minha conta exclusiva liguei por uma picada com
mais de dez léguas, Mata Sede às ruínas de Vila Rica do Espírito
Santo, confluência do Corumbataí e Ivaí, dando saída aos intrusos
desta zona que, certamente, foram radicar-se em Campo Mourão e Campina da
Lagoa, o seu sonhado Campo da Vaca Branca. Estavam ligadas as minhas duas
fazendas: Corumbataí e Juruba. Apucarana, dia da Proclamação da
Republica, comemorado em 1968. a) Dr. Joaquim Vicente de Castro".
Fazenda Três Bocas - Conta Eurides Moreira de
Almeida que "em três de maio de 1925, levantei as águas da Fazenda
Três Bocas. Em março de 1926, encontrei picadas de engenharia onde hoje
está o posto Zacharias (atual Matrix, na saída para Arapongas).
Encontrei um marco com as letras p.p. planalto pelos engenheiros Edes
Palhano e Odilon. Abri picadas a foice até a lagoa de Arapongas".
Marco de Apucarana - "Em 1929, fui eu o
fundador do Porto São José. Em 1936, residi no lugar onde o engenheiro
colocou o marco de Apucarana", diz José Rodrigues de Souza.
Fazenda Eldorado - Homero Alcântara, que diz ter se fixado em
Apucarana no dia 15 de janeiro de 1936, esclarece que "comprei a
primeira fazenda em 1925, data que conheci a região de Apucarana, junto a
hoje conhecida Fazenda Eldorado, atualmente município de Marilândia do
Sul. Meus pais foram fundadores de Jacarezinho. Comecei fazendo
benfeitorias em minha fazenda, trazendo capim de São Paulo, em 1927,
passando por Jataí em canoa, animais de cargueiro e a nado pelo rio
Tibagi, via São Roque".