Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às sextas-feiras :.
      Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - III

Reproduzimos a entrevista concedida pelo pioneiro Benevides Mesquita e pu-blicada na revista "Atualidade " de nossa cidade, no mês de janeiro de 1974. "Na procura de um pioneiro para contar coisas de Apucarana, fomos encontrar sr. Benevides Mesquita, o pioneiro por excelência. Foi o primeiro a chegar no local onde hoje está situada a cidade, exatamente no dia 14 de fevereiro de 1934. dez anos antes da emancipação política do município. Moreno, fala mansa, mineiro de Angustura, com 76 anos de idade, contou muita coisa".

"Desde a cidade de Cambará, como funcionário da Companhia de Terra Norte do Paraná, acompanhou o desenvolvimento da estrada de ferro até a cidade de Londrina. Dali, no dia 14 de fevereiro de 1934, partiu a cavalo ainda de madrugada em direção ao que seria um futuro entreposto, chegando já a noite feita, onde hoje é a entrada da cidade, onde existe a fábrica de papel. Veio para tomar conta das terras da 


Apucarana homenageia Benevides Mesquita dando seu nome a uma rua do Jardim Iguatemi

Companhia, devido a grande quantidade de intrusos oriundos principalmente de Araruva (Marilândia do Sul), Queimados (Ortigueira), São Jerônimo da Serra e Ponta Grossa,via Tibagi. Este era o trânsito conhecido na época. A mata virgem se dava daqui para Londrina e mesmo até Cambará. A Companhia cortou esses terrenos em pequenas áreas, fazendo já uma espécie de reforma agrária. E paralelamente foi abrindo picadas, mais para levar os adquirentes de terras a suas propriedades".

 

Serra de Apucaranã - Diz ainda Benevides Mesquita que "a localidade, na época, era conhecida apenas como Serra de Apucaranã. A própria Companhia não desejava estabelecer um núcleo residencial neste local. Até mesmo a estrada de ferro não deveria passar por aqui. De Arapongas deveria haver um corte direto a Mandaguari, porque as terras localizadas neste espigão não pertenciam à Companhia. Eram terras de particulares. Todo o esforço foi enviado pela Companhia para que não passasse por aqui. Tanto que ali, onde hoje está o Colégio São José, já estava sendo feito um "poço" para a estação da estrada de ferro.. Mas, a necessidade fez com que passasse realmente por aqui e, então a Companhia procurou o lugar mais afastado (onde hoje está erigida) e ali construiu a estação, para não beneficiar estas terras de particulares. A estação realmente deveria estar localizada mais ao longe. A Companhia fez toda força para isso, mas não houve possibilidade devido ao grande vale existente na rota".

Força das Circunstâncias - "De ponto em ponto, a Companhia fazia projetos de cidade. Assim aconteceu com Rolândia, Arapongas e Apucarana só teve seu projeto de cidade devido à força das circunstancias, que obrigaram a Companhia. Era para ser, de verdade, um simples posto de abastecimento. Pode-se dizer que tenha tido o seu início sem querer. De apenas algumas casas dos intrusos, cobertas de palmito, e alguns ranchos começados a serem erguidos em 1936 esclarece Benevides, que acompanhou todo o desenrolar da cidade, até o seu falecimento. A companhia no entanto abriu uma estrada ligando Arapongas e Mandaguari passando pelo distrito de Caixa São Pedro, fato que repercute até hoje quando os moradores daquela região mantém relação comercial com a vizinha cidade.

Falta de Apoio - Comenta ainda o entrevistado que "de nenhum lado havia apoio, até da Companhia que tudo fez para levar tudo deste lugar. A formação e o desenvolvimento só se deve mesmo à situação geográfica privilegiada e à força da gente que para cá veio no decorrer da história da cidade. São pessoas que vêm para cá, que gostam daqui, que resolvem e fixam residência aqui. É gente que vem para cá, bebe a água e não sai mais. Só sinto estar com a idade avançada, pois eu queria estar a vinte anos, para acompanhar um pouco mais do progresso desta terra", conclui o pioneiro Benevides Mesquita.

 


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