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Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - VII
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"Apucarana era rodeada de mata
virgem. Caminhei pelas picadas e o cheiro silvestre e agradável penetrava
até meus pulmões. As árvores, conforme a localização, eram diferentes
nas mais variadas espécies nativas. Ao Sul, onde estava a Colônia
Ucrânia, matas de cedros, perobas altaneiras, pinheiros imponentes,
palmitos e canjarabas. Ao Norte, onde se situava a Colônia japonesa,
predominavam as frondosas figueiras, perobeiras e paus-d'alho, raros
cedros e palmitos. Ao poente, quase a mesma paisagem do Norte. Ao
nascente, o maior espetáculo da natureza, pinheiros colossais com mais de
um metro de diâmetro."
CORRETORES -
"A Companhia de Terras Norte do Paraná dividiu as terras para
vendas, encarregando os senhores Antônio Ostrenski, da parte que
compreendia a Colônia Ucrânia. Residindo em Londrina, ele vinha todos os
domingos a Apucarana, fazendo sua visita de cordialidade, tratando os
pratricios com muita simplicidade. Nas terras da Colônia japonesa, o
corretor |
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Casal Adão (Maria) Kaniewski, com seu filho Ceslau ( todos falecidos).
Ele foi o primeiro comerciante que aqui se estabeleceu com a Casa Branca,
em 1936. Construtor do Edifício Adão, que se localiza na esquina da
Praça Rui Barbosa com a Rua Prof. João Cândido Ferreira
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era Hikoma Udihara. Ao poente, era
corretor Felisberto Borges, e ao nascente situava-se da Fazenda Três
Bocas, de propriedade de grandes fazendeiros, entre eles, Carlos Schmidt,
Miguel Simião e outros."
CASA LUSITANA -
"Quando abri minha primeira casa comercial "A Lusitana",
que todos chamavam de Casa Rosa, em 15 de junho de 1937, pensava ficar em
Apucarana somente até consolidar a cura de minha tuberculose, que adquiri
em 1934, em João Ramalho, Alta Sorocabana, onde morei seis anos. Esse
período de convalescença foi o suficiente para me enraizar nesta terra,
por quem tanto trabalhei sem sentir, porque a busca do ideal alivia o
cansaço do homem e sempre o impulsiona a querer mais : "O ideal tem
que se colocar não na lua, porque lá o homem já chegou, mas se tem que
pôr no sol, pois é inatingível e, assim, se passa a vida toda lutando
para atingi-lo. Quem perde o ideal, perde tudo."
"A Casa Rosa foi a
proprietária da primeira livraria, primeiro açougue, primeiro bar e
sorveteria e outros empreendimentos. Assim, a Casa Rosa passou a ser o
ponto de encontro dos moradores de Apucarana e proximidades e o da
jardineira do Garcia que vinha de Londrina. Reuniamo-nos sempre a fim de
tratar de assuntos de interesse da comunidade, levando em consideração
as sugestões do engenheiro Joaquim Vicente de Castro, proprietário da
Fazenda Juruba; Manoel Bernardes dos Reis (fundador da Vila Reis), do
pioneiro Benevides Mesquita e de muitos outros que se faziam presentes
nessas reuniões.
PRIMEIRO GRUPO ESCOLAR -
"Em 1937, pedi autorização á Companhia de Terras para derrubar a
mata de dois alqueires, onde hoje se encontra a Praça 28 de Janeiro, para
plantar milho, arroz e feijão. Mais tarde, foi construído nesse mesmo
terreno, o primeiro Grupo Escolar de Apucarana."
CORAGEM DE PIONEIROS -
Conta ainda o pioneiro José de Oliveira Rosa "Que era comum os
sitiantes chegarem com o papel de compras na mão, á procura de sua
terra. Levava-os na minha charrete até a cabeceira de seus sítios.
Preocupava-me vê-los descarregarem a mudança em plena mata fechada sem
recursos, sem vizinhos, com cobras e outros animais perigosos rodeando-os
. Destemidos. Só a coragem de pioneiros e a fé em Deus. Quando me lembro
da vida dos pioneiros, fico entusiasmado. Foi um tempo difícil, mas
compensador. Sei que muitos netos e bisnetos dos pioneiros, talvez nunca
tenha escutado a história dessas vidas que desbravaram Apucarana e a
região. Por isso - enfatiza - aconselho que procurem saber o que passaram
os pioneiros, não só de Apucarana, mas do Norte do Paraná. Indagar do
avô, da avó que devem estar velhinhos, sobre as dificuldades
encontradas. Procurem saber a história dessas vidas pioneiras que
deixaram em casa picada, o suor e coração, a força de sua coragem e o
amor á terra."
HEROÍNAS ANÔNIMAS - "A
história pouco fala da presença marcante das mulheres pioneiras, que
eram corajosas, persistentes e sofredoras. Que fizeram renúncias do
conforto, deixaram familiares e bem-estar, enfrentando duramente a mata
virgem, grandes perigos, N casa, na lavoura, na participação
comunitária, a mulher pioneira foi um baluarte. São elas as verdadeiras
heroínas anônimas que enfrentaram duras batalhas, demonstrando o seu
companheirismo, sacrifício e fé.Tenho por elas grande e profundo
respeito", diz o pioneiro José de Oliveira Rosa. |
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