Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às sextas-feiras :.
      Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - VII

"Apucarana era rodeada de mata virgem. Caminhei pelas picadas e o cheiro silvestre e agradável penetrava até meus pulmões. As árvores, conforme a localização, eram diferentes nas mais variadas espécies nativas. Ao Sul, onde estava a Colônia Ucrânia, matas de cedros, perobas altaneiras, pinheiros imponentes, palmitos e canjarabas. Ao Norte, onde se situava a Colônia japonesa, predominavam as frondosas figueiras, perobeiras e paus-d'alho, raros cedros e palmitos. Ao poente, quase a mesma paisagem do Norte. Ao nascente, o maior espetáculo da natureza, pinheiros colossais com mais de um metro de diâmetro."

CORRETORES - "A Companhia de Terras Norte do Paraná dividiu as terras para vendas, encarregando os senhores Antônio Ostrenski, da parte que compreendia a Colônia Ucrânia. Residindo em Londrina, ele vinha todos os domingos a Apucarana, fazendo sua visita de cordialidade, tratando os pratricios com muita simplicidade. Nas terras da Colônia japonesa, o corretor 



Casal Adão (Maria) Kaniewski, com seu filho Ceslau ( todos falecidos). Ele foi o primeiro comerciante que aqui se estabeleceu com a Casa Branca, em 1936. Construtor do Edifício Adão, que se localiza na esquina da Praça Rui Barbosa com a Rua Prof. João Cândido Ferreira

era Hikoma Udihara. Ao poente, era corretor Felisberto Borges, e ao nascente situava-se da Fazenda Três Bocas, de propriedade de grandes fazendeiros, entre eles, Carlos Schmidt, Miguel Simião e outros." 

CASA LUSITANA - "Quando abri minha primeira casa comercial "A Lusitana", que todos chamavam de Casa Rosa, em 15 de junho de 1937, pensava ficar em Apucarana somente até consolidar a cura de minha tuberculose, que adquiri em 1934, em João Ramalho, Alta Sorocabana, onde morei seis anos. Esse período de convalescença foi o suficiente para me enraizar nesta terra, por quem tanto trabalhei sem sentir, porque a busca do ideal alivia o cansaço do homem e sempre o impulsiona a querer mais : "O ideal tem que se colocar não na lua, porque lá o homem já chegou, mas se tem que pôr no sol, pois é inatingível e, assim, se passa a vida toda lutando para atingi-lo. Quem perde o ideal, perde tudo."

"A Casa Rosa foi a proprietária da primeira livraria, primeiro açougue, primeiro bar e sorveteria e outros empreendimentos. Assim, a Casa Rosa passou a ser o ponto de encontro dos moradores de Apucarana e proximidades e o da jardineira do Garcia que vinha de Londrina. Reuniamo-nos sempre a fim de tratar de assuntos de interesse da comunidade, levando em consideração as sugestões do engenheiro Joaquim Vicente de Castro, proprietário da Fazenda Juruba; Manoel Bernardes dos Reis (fundador da Vila Reis), do pioneiro Benevides Mesquita e de muitos outros que se faziam presentes nessas reuniões.

PRIMEIRO GRUPO ESCOLAR - "Em 1937, pedi autorização á Companhia de Terras para derrubar a mata de dois alqueires, onde hoje se encontra a Praça 28 de Janeiro, para plantar milho, arroz e feijão. Mais tarde, foi construído nesse mesmo terreno, o primeiro Grupo Escolar de Apucarana."

CORAGEM DE PIONEIROS - Conta ainda o pioneiro José de Oliveira Rosa "Que era comum os sitiantes chegarem com o papel de compras na mão, á procura de sua terra. Levava-os na minha charrete até a cabeceira de seus sítios. Preocupava-me vê-los descarregarem a mudança em plena mata fechada sem recursos, sem vizinhos, com cobras e outros animais perigosos rodeando-os . Destemidos. Só a coragem de pioneiros e a fé em Deus. Quando me lembro da vida dos pioneiros, fico entusiasmado. Foi um tempo difícil, mas compensador. Sei que muitos netos e bisnetos dos pioneiros, talvez nunca tenha escutado a história dessas vidas que desbravaram Apucarana e a região. Por isso - enfatiza - aconselho que procurem saber o que passaram os pioneiros, não só de Apucarana, mas do Norte do Paraná. Indagar do avô, da avó que devem estar velhinhos, sobre as dificuldades encontradas. Procurem saber a história dessas vidas pioneiras que deixaram em casa picada, o suor e coração, a força de sua coragem e o amor á terra."

HEROÍNAS ANÔNIMAS - "A história pouco fala da presença marcante das mulheres pioneiras, que eram corajosas, persistentes e sofredoras. Que fizeram renúncias do conforto, deixaram familiares e bem-estar, enfrentando duramente a mata virgem, grandes perigos, N casa, na lavoura, na participação comunitária, a mulher pioneira foi um baluarte. São elas as verdadeiras heroínas anônimas que enfrentaram duras batalhas, demonstrando o seu companheirismo, sacrifício e fé.Tenho por elas grande e profundo respeito", diz o pioneiro José de Oliveira Rosa.


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