Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às segundas-feiras :. Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - IX


Praça Rui Barbosa, em 1947

O plano urbanístico de Apucarana elaborado pela Companhia de Terras Norte do Paraná, empresa colonizadora, é datado do mês de agosto de 1936 previa o início das vendas dos pequenos núcleos em 1938, constava de 105 quarteirões, 53 ruas, 4 praças e 1 jardim.

As ruas receberam denominações derivadas de localidades do próprio Estado. No centro do núcleo ficava a Praça Palmas (hoje Rui Barbosa), dividida em duas partes pela Rua Rio Branco, que obedecia o sentido Norte-Sul.A igreja devia ocupar o lado Oeste, mas a praça acabou unida, com a construção da Catedral, eliminando, portanto, o segmento correspondente à Rua Rio Branco.

A Praça Marumbi (hoje 28 de Janeiro), conserva o mesmo traçado inicial, mas trazia no centro, o projeto de um grupo escolar, uma edificação que realmente foi feita em 1943, graça ao empenho de um grupo de pioneiros e que correspondia a amplo edifício de madeira, em forma de U, composto de 8 salas de aula, que, por muito tempo ainda, iria constituir o único estabelecimento de ensino oficial da cidade.

A Praça Jaboti, do projeto inicial desapareceu. Cobria a área hoje correspondente a dois quarteirões, com frente para a Rua Antonina (hoje Dr. Nagib Daher), entre a Rua Prudentópolis (hoje Renê Camargo de Azambuja), Rebouças (hoje Clóvis da Fonseca), estendendo-se até a atual Rua Bandeirantes. Atualmente é área totalmente ocupada e edificada.

O plano incluia, ainda, o traçado da Praça Platina (hoje Manoel Ribas), de desenho circular, atravessada na planta, pela Av.Curitiba, que, quase no final, se desdobrava em duas outras,formando 3 vias: no centro, a Av. Curitiba, que se estendia pelo trecho que hoje corresponde à atual Corifeu de Azevedo Marques até o Jardim da Lagoa; dos dois lados opostos da avenida, surgiram, então de um lado, a Rua Guaratuba (que hoje constitui o verdadeiro prolongamento da Av. Curitiba) e, do outro lado, a Rua Guaira. As três vias assumiam, assim, no centro da praça, a forma inversa do tridente de Netuno.

Por sua vez, o Jardim da Lagoa, constituída uma área muito ampla, dentro do perímetro margeado pelas Ruas Irati e Carlópolis. O limite Norte da cidade era estabelecido pelos trilhos da estrada-de-ferro,que tangenciavam a Avenida Higienópolis (hoje Coronel Luis José dos Santos ) e, logo adiante, acompanhavam o traçado na Rua Palmeiras (hoje desembargador Clotário Portugal.

No Sul, o mapa da cidade fechava no traçado interligado das Ruas Bandeirantes, Guarapuava, Lapa, Clevelândia, Tibagi e Pinhais. A Oeste o núcleo urbano não alcançava, a atual estação ferroviária. Ficava bem aquém; ao invés de se situar como hoje, no final da Av. Curitiba, que estava planejada para ser construída no lado oposto, bem a Leste, na entrada de quem vem de Londrina e na confluência da Av. Curitiba, com as Ruas Ponta Grossa e Antonina (de então ), abrindo-se no largo da Praça da Estação. Essa área seria depois ocupada pela Sanepar, Caixa d'Água, Corpo de Bombeiros e amplas edificações,

O Curioso também, é que, além da ligação ferroviária que levava a São Paulo, o projeto inicial previa ainda uma derivação para o Sul, como que antecipando o traçado da Estrada de Ferro Central do Paraná.O plano da urbs era realmente acanhado e seu traçado estava confinado ao topo do espigão. Foi só depois, com sua expansão, que a cidade passou a ocupar e descer as ladeiras.

Vale o registro histórico do seu traçado original, não só para que não se perca a idéia da pequena dimensão que se procurou atribuir à cidade , como também, para que se possa estabelecer o confronto do seu crescimento urbano no tempo, pois conforme dados passados pela Assessoria de Planejamento da Prefeitura, ainda de 1994, a cidade abrigava a esse tempo 788 logradouros públicos, sendo 691 ruas, 33 avenidas, 32 travessas, 30 praças, 1 calçadão.

Por aí se vê, portanto, que, a despeito de lhe ter sido reservado o destino de servir como simples núcleo intermediário de abastecimento. Apucarana venceu por si mesma esses limites exíguos, para abrir espaço e se impor como uma das cidades mais importantes, prósperas e representativas do progresso do nosso Estado.(Colaboração do pioneiro e advogado Rui Cavallin Pinto, procurador aposentado do Ministério Público do Paraná, residente em Curitiba.)


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