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Francisco Antônio de
Souza, carinhosamente conhecido por "Professor Preto", foi o
segundo professor particular de Apucarana nos idos de 1942, quando nossa
cidade não contava com nenhum estabelecimento de ensino mantido pela
Prefeitura do município de Londrina, ao qual pertencia ou pelo Governo do
Estado.
Um dos baluartes do ensino
em nossa cidade, enfrentou toda a sorte de vicissitudes, a exemplo dos
demais pioneiros, pois éramos ainda um simples patrimônio desprovido de
equipamentos urbanos, fato que jamais arrefeceu seu entusiasmo,
ministrando, com reconhecida dedicação e entusiasmo, as primeiras letras
a um grande número de apucaranenses que hoje militam nos mais diversos
segmentos social e profissional.
TRAJETÓRIA -
Conta sua filha, professora Junardel Costa de Souza que "meu pai
nasceu na cidade de Santa Maria do Ouro (Bahia), no dia quatro de abril de
1883. Ele tinha apenas o curso primário, mas era dotado de uma força
interior extraordinária e aos poucos foi superando suas deficiências com
relação ao aprimoramento de seu aprendizado, |
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Professor Francisco
Antônio de
Souza
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graças a sua garra e
vontade de vencer. Estudava à luz de lamparina. Como todo jovem imbuído
do espírito de aventura em busca de melhores dias, levado pelas notícias
de que a cidade de São Paulo era um "paraíso", no dia 10 de
maio de 1913 deixava sua terra natal e vinha para a capital bandeirante,
onde, inclusive, participou da Revolução Constitucionalista de 1932,
lecionou no bairro da Lapa e também na cidade de Presidente
Prudente."
NO PARANÁ -
"Por volta de 1938 - prossegue Junardel - meu pai veio para a cidade
de Cornélio Procópio, sendo o primeiro professor de curso primário,
vindo depois para o patrimônio de Perianito (atual cidade de Uraí), onde
lecionou também na Colônia Japonesa e foi o primeiro professor de curso
primário. Retornou, para Cornélio Procópio, ali instalando a Escola
Getúlio Vargas."
EM APUCARANA -
Mais adiante diz que "meus pais chegaram ao então patrimônio de
Apucarana no mês de setembro de 1942, fixando residência à Av.
Curitiba, 971 (onde hoje se encontra a edificação Bassi Centro
Comercial). Como lecionava em casa, a mesma passou a ser então uma
casa-escola, onde instalou a Escola Getúlio Vargas. Dava aulas para as
quatro séries e muitas crianças vinham dos sítios e até mesmo de
Arapongas. Em 1958 a escola foi estadualizada até ele se aposentar em
1966, após manter a escola por 24 anos ininterruptos e mais de 30 anos de
exercício efetivo do magistério."
HOMENAGEM -
O professor Francisco Antônio de Souza faleceu no dia 24 de abril de
1981, com a idade de 98 anos, em Apucarana. Em reconhecimento à sua
contribuição em prol do ensino em nossa cidade, foi dado o seu nome à
escola estadual, que funciona no Núcleo Habitacional Pedro Viriato
Parigot de Souza.
Fechamos nossa coluna com
um artigo escrito pelo professor Elisário Catoni e publicado no dia 14 de
outubro de 1973. Ele destacava:
"Sua casinha simples
de madeira, rente à calçada. Envelhecida sim, ma aí está:
bastião-testemunho único, dos alvores desta cidade orgulhosa em
arrancada para os céus na Av. Curitiba, 971. Feia e anti-estética,
destoa das demais portentosas e dos prédios vizinhos que o modernismo
esmaga... Mas, gente desta terra, teve gloriosos momentos ao receber
visitantes de Londrina, Curitiba e até mesmo do Rio de Janeiro.
Internamente, como ostenta por fora, é um símbolo de uma pobreza digna
das melhores páginas da História Apucaranense. O mestre-escola do
Paraná nunca pôde acumular riquezas para a vida, mas quem cultiva as
mentes, semeia para a ventura."
"Viu nascer uma cidade. Viu-a
crescer.. Viu muita gente passar, vir e ir e ele dizia: "Fiquei
sempre nesta casa e rua". De gente da terra conhece pormenores, num
arsenal de coisas. Andei 14 anos por esta Av. Curitiba. De lá até hoje
acostumei a vê-lo, a olhá-lo com curiosidade. Sempre a pé e mesmo
jeito, olhando tudo e todos. Aprendi a admirá-lo porque me disseram sua
profissão: professor". |