Sua esposa tinha uma participação ativa
em todas as campanhas de caráter filantrópico e em reconhecimento a sua
atuação, a municipalidade, após seu falecimento, denominou de Antonieta
Lautenschlager, a atual escola municipal localizada no Jardim das Flores,
levando também seu nome à antiga Rua Ubatuba.
Álvaro desempenhou igualmente intensa
atividade comunitária e social, como presidente da Associação Rural,
fundador do Lions Clube, tesoureiro da Associação Comercial, membro da
diretoria do extinto Banco de Crédito Rural do Paraná, juntamente com José
de Oliveira Rosa (presidente) e Antônio Gilberto Victor (superintendente),
presidente da Associação dos municípios do Paraná, etc.
PREFEITO -
Pelo vasto círculo de amizade e credibilidade que grangeou junto a
população, foi indicado pelo então prefeito dr. Marino Pereira (11-12-59 a
06-02-63), como candidato a sua sucessão nas eleições municipais de 06 de
outubro de 1963, elegendo-se com 4.429 votos, pela coligação PDC- Partido
Democrata Cristão, PTB - Partido Trabalhista Brasileiro e UDN -União
Democrática Nacional, concorrendo com o ex-prefeito Jorge Amin Maia
(11-12-1955 a 11-12-1958) pela coligação PL-Partido Liberal e PTN- Partido
Trabalhista Nacional, que obteve 3.981 votos e o médico João Alfredo
Gonçalves Pereira, pela coligação PSP - Partido Social Progressista, PR -
Partido Republicano e PRP -Partido de Representação Popular, que recebeu
2.071 votos.
VEREADORES -
Para Câmara Municipal foram eleitos, Yoshio Shinohara, dr. Moacyr Leocádio da
Silva, Dirceu Borges, Lucílio dos Santos Vieira e Valdesir Pagani (PDC),
Valmor Santos Giavarina, Tuany Ferreira Coutinho e dr. Antônio Luiz de Souza
Rocha (PL), José Ramos de Oliveira e Argemiro Pires Furiatti (PTN), dr.
Dilermando Ribeiro dos Santos e Heitor Antônio de Souza Pinheiro (PSP-PR-PRP).
DENÚNCIAS -
O cirurgião-dentista Valmor era o único que fazia oposição ao prefeito no
Legislativo e também no programa radiofônico "Crônica do Meio
Dia", diariamente, pela Rádio Cultura de Apucarana, acusando-o, segundo
nota publicada no jornal "O Estado do Paraná", edição nº 4.492,
de 16 de junho de 1966, de "desvio de 100 milhões de cruzeiros, de ter
gasto 50 milhões sem autorização legal, além de dar 25 milhões à pedreira
municipal e mais 25 milhões à fabrica de tubos da municipalidade."
INQUÉRITO -
As denúncias do edil e atendendo ainda ao pedido de uma comissão da
Associação Comercial, o 13º Regimento de Infantaria, com sede em Ponta
Grossa, instaurou um inquérito policial-militar, conduzido pelo coronel Luiz
Gonzaga Pereira da Cunha, que determinou a formação de uma comissão de alto
nível, integrada por pessoas indicadas pelo próprio prefeito, com
observação do Exército, enquanto Álvaro encaminhava à Câmara Municipal, o
pedido de licença que transcrevemos: "Em 14 de junho de 1966. Senhor
Presidente. Os pesados e absorventes encargos da administração deste
Município, e que notoriamente tenho me dedicado sem poupar tempo e energias,
esgotaram, até a estafa das minhas forças. Solicito, assim, da Ilustre Casa,
licença para me afastar da chefia do Executivo Municipal pelo período de 120
dias, a contar de 16 de junho corrente."
NOVO PREFEITO -
Deveria substituí-lo o presidente da Câmara (pois ainda não havia o cargo de
vice-prefeito). Todavia, a Câmara elegeu como seu substituto, o contador Saul
Guimarães da Costa e "O Estado do Paraná" conta que ele "tomou
posse no dia 16 de junho de 1966, às 11 horas, em solenidade rápida que
contou com a presença do presidente da Câmara em exercício, Heitor Antônio
de Souza Pinheiro, o capitão Luiz Carlos Fagundes Panza, comandante da Quarta
Companhia aqui sediada, além de outras personalidades."
"No ato da transmissão do cargo -
afirma ainda o jornal - Álvaro chorava copiosamente, dizendo mesmo é
necessário o meu sacrifício. A Revolução não é contra ninguém. É a
favor do Brasil, e por isso deve continuar." Disse ainda "que deixava
nos cofres municipais 26 de milhões de cruzeiros, além de 126 milhões a
serem recebidos, que farão face as despesas mais urgentes da municipalidade.
Demonstrava profundo desgosto e a certa altura disse para o prefeito Saul
"embora V.Exª. não tenha sido eleito como eu, pelo voto popular, já que
o foi por eleição indireta, desejo-lhe uma gestão profícua a frente da
prefeitura da nossa cidade. Nessa hora o sr. Álvaro Aníbal, mais uma vez
chorou desesperadamente, parecendo acreditar que não mais voltaria ao seu
cargo."
SURPRESA -
Ainda segundo "O Estado do Paraná" o pedido de licença do sr.
Álvaro Aníbal por 120 dias, se deu, pelo que conseguimos apurar, de uma
maneira brusca, tendo mesmo o vice-prefeito Saul Guimarães da Costa salientado
que durante o último fim de semana nada sabia a respeito do assunto. Foi
tomado de surpresa ante o desenrolar dos acontecimentos."
Comentava ainda o jornal, em sua edição nº 4.493, de
17 de junho de 1966 que "o coronel Luiz Gonzaga Pereira da Cunha,
responsável pelo IPM, na órbita do município, disse que espera uma
conclusão para o processo dentro de 45 dias. Salientando que o que conseguiu
apurar em 15 dias de trabalho, já deu para ter uma idéia do que existe de
real na administração municipal e muita inverdade está sendo publicada sobre
o assunto."