Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às segundas-feiras :. Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - XX
Entusiasmados pela viabilidade da emancipação do patrimônio, os apologistas e defensores intransigentes pela causa, que dia a dia mais se empolgavam a se reunir no dia seis de junho de 1943, desta vez no Escritório Rex, de propriedade do secretário da comissão , José Ribeiro de Souza , que se situava na Rua Reserva (Atual Prof. João Cândido Ferreira), fazendo-se presentes os senhores Eduardo Benjamin Hosken, José Gomes de Lima, José de Oliveira Rosa, Manoel Sardinha Pereira e José Ribeiro de Souza.
PRESTAÇÃO DE CONTA - a referida reunião teve por finalidade verificar a situação financeira da Comissão Pró-Município, constatando-se um saldo de Cr$ 4.582,00 (quatro mil, quinhentos e oitenta e dois cruzeiros), sendo Cr$ 2.200,00 (dois mil e duzentos cruzeiros) depositados na agencia local do Banco Noroeste do Estado de São Paulo e Cr$ 2.383,00 (dois mil, trezentos e oitenta e dois cruzeiros), em caixa.
O VALOR DA IMPRENSA - Não fugindo á regra, o patrimônio também ressentia desde seus primórdios, da necessidade de ter o seu próprio órgão de imprensa, pois segundo Eugene I. Hartley "ser incapaz de comunicar-se com as pessoas que vivem á volta da gente, equivale a viver dentro de uma redoma de vidro". Por outro lado, acentua Robert E. Park que "para que a notícia seja notícia precisa ser publicada. Precisa aparecer na imprensa".Fundamentado talvez nessas duas afirmativas, o presidente da Comissão Pró-Município, Eduardo Benjamin Hosken levou ao conhecimento dos presentes a importância de se editar uma reportagem especial no jornal "Paraná Norte", então único órgão de imprensa existente na região, de propriedade do jornalista H. Puggari Coutinho, em Londrina, contendo o relatório feito por José Ribeiro de Souza, que focalizava de forma abrangente as potencialidades do patrimônio em todos os seus setores de atividades, com a finalidade de despertar o interesse das autoridades estaduais pela causa da criação do município.

José Ribeiro de Souza, secretário da Comissão Pró-Município

 

OFÍCIO - A referida publicação custou aos cofres da Comissão, a importância de Cr$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos cruzeiros), que foi paga pelo comércio, após sua publicação na edição nº 472, de 31 de outubro de 1943, a qual, posteriormente, foi encaminhada ao interventor Manoel Ribas, acompanhada de um ofício assinado pelos senhores Eduardo Benjamin Hosken (presidente), José Ribeiro de Souza (secretário) e Manoel Sardinha Pereira (tesoureiro) da Comissão Pró-Município, respectivamente, enfatizando que "a Comissão tem a honra de passar ás mãos de Vossa Excelência, o número especial do "Paraná Norte", em cujas páginas o povo de Apucarana presta a mais justa homenagem a Sua Excelência, o Presidente da República, Getúlio Dorneles Vargas, a Vossa Excelência a ao nosso operoso prefeito major Miguel Blasi",sublinhando que "por intermédio das colunas do referido jornal, o povo de Apucarana apela para o espírito justiceiro de Vossa Excelência, para que torne uma realidade a nossa emancipação administrativa, com a criação do município de Apucarana, de acordo com o plano traçado pelo Diretório Municipal e Geografia de Londrina", e finalizava afirmando que "confiante no alto espírito de Justiça que norteia a Vossa fecunda administração, a Comissão Pró-Município de Apucarana aguarda, serenamente, o vereditum de Vossa Excelência." .
DIÁLOGO - Essas duas decisões (a publicação das potencialidades do patrimônio no jornal e o seu encaminhamento ao interventor), devem tê-lo sensibilizado e conscientizado de que, apesar de todas as dificuldades, o patrimônio se desenvolvia e já se despontava no cenário estadual, fato que trazia a Comissão Pró-Município, a convicção de se conseguir seu desmembramento do Município de Londrina, pois o interventor talvez não estivesse esclarecido do nosso progresso, devido a falta de comunicação então existente entre a capital do Estado e Apucarana, que se encontrava bloqueada e "dentro de uma redoma de vidro", com relação a Curitiba.
Assim, desde aquela época, os apucaranenses já vislumbravam o valor da imprensa e mostravam-se receptivos ao seu processo de interação, fazendo-a mensageira de suas lídimas aspirações.

 


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