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Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - XXI
A fim de preparar calorosa manifestação de apreço ao interventor Manoel Ribas, que havia programado visitar o patrimônio no dia 22 de julho de 1943 e na oportunidade demonstrar-lhe a grande estima dos apucaranenses, e solicitar-lhe ao mesmo tempo e de viva voz a criação do município, uma terceira reunião foi realizada no dia 18 daquele mesmo mês e ano, na sede do GERA - Grêmio Esportivo e Recreativo Apucaranense - que foi presidida pelo farmacêutico Eduardo Benjamin Hosken e secretariada por José Ribeiro de Souza.
A VIAGEM - Manoel Ribas percorreu a então denominada Estrada do Cerne (de terra), iniciada por ele em 1935 e concluída cinco anos depois, que ligava Curitiba a Londrina. Com ela, teve início o ciclo desenvolvimentista do Estado, pois teve seqüência depois com a ligação rodoviária entre Curitiba e União da Vitória.
"Antes de meu pai a região Sul não conhecia o Norte e um não sabia da existência do outro", contava seu filho Gustavo Ribas, em 1994.
A VISITA - Conforme o previsto, o patrimônio engalanou-se no dia 22 de julho de 1943 para receber tão ilustre personalidade, inclusive com banda de música, desfile escolar, faixas de saudação e, posteriormente, concorrida reunião que contou com a participação de grande número de pessoas representativa dos diversos segmentos social e econômico, com a finalidade de hipotecar integral apoio à iniciativa da Comissão Pró-Município, a fim de demonstrar ao interventor os anseios da população em ver concretizado o mais rápido possível o desmembramento do patrimônio do município de Londrina, tendo em vista, inclusive, já ser de seu conhecimento a movimentações da comunidade a esse respeito, através de sucessivas manifestações.
Fizeram-se presentes à reunião que aconteceu no salão do GERA, entre outros, os senhores Manoel Sardinha Pereira, José de Oliveira Rosa, Adão Kaniewski, Joaquim Furtado, Atílio Carleto, José de Almeida, Albino Real, José Ruiz, Tibúrcio Medrado, Joaquim Marques Dias, Francisco Lopes, Vergílio Stábile, Seiji Arita, Goro Kakuda, Jonas Matulaitis, Jamil Soni, Felisberto Borges, Benevides Mesquita, Hercílio Wanderley de Alencar.
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Faixa de saudação |

Desfile, vendo-se á direita a banda de música |
José Simonetti, Hermínio Nalini, Francisco Schileizer, Osório Ribas de Paula, Hélio Bonetto, Enzo Bonetto, Nogueira Porto, Mário de Campos, Fritz Bredmann, José Maria Verdasca Sobrinho, Elídio Stábile e Hotisiaschi Kinochita.
O DISCURSO QUE NÃO FOI CONCLUIDO - Para saudar o interventor foi designado Galdino Kluck Junior, cujo discurso escrito e por demais longo, fez com que o visitante o interrompesse e solicitasse as laudas, que "as leria em Curitiba", segundo voz corrente na época, fato que possivelmente teria acontecido, pois segundo o escritor e professor paranaense Ruy Chistovam Wachowicz, Manoel Ribas "desprezava o protocolo e as etiquetas sociais. Seu modo popular de governar fê-lo estimado e amado pelo povo, o qual apelidou-se de "Maneco Facão". Em torno de sua figura rude, porém, eficiente, surgiram "episódios quase lendários, irreverência, estórias quase anedotas , frutos talvez da responsabilidade do homem simples".
POR QUE "MANÉ FACÃO" - A família se queixa às vezes que Manoel Ribas é mais lembrado pelo lado folclórico de suas atitudes do que por suas realizações, muitas das quais fundamentais para transformação do Paraná. O apelido de "Mané facão", por exemplo, nasceu entre funcionários públicos da época. Quando ele assumiu como interventor após a Revolução de 1930, encontrou uma máquina pública deficitária e inchada. Uma de suas primeiras providências foi demitir pessoal para reequilibrar o caixa. Popularmente, "passou o facão".
Diz ainda o jornalista Luiz Geraldo Mazza que "de uma coisa todos podem estar certos: no tempo de Manoel Ribas o Paraná acordava mais cedo, tantas eram as "incertas", as inspeções permanentes que ele fazia nas mais distantes localidades, apesar da precariedade das estradas. Este dinamismo alimentou o folclore , pondo a anedota como o foco de enredo de uma das figuras mais construtivas da história paranaense". |
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