Após um período de quatro meses de espera aguardado ansiosamente pelos líderes da Comissão Pró-Município por um pronunciamento favorável do interventor Manoel Ribas, que aqui estivera no dia 22 de julho de 1943, a respeito da criação do município, finalmente, como um presente de Ano Novo, o interventor, através de um telegrama comunicava a sanção do decreto-lei nº 199, de 30 de dezembro de 1943, que desmembrava o patrimônio de Apucarana do município de Londrina, coroando assim de êxito os esforços dos componentes do movimento, que de já muito vinham reivindicando a autonomia municipal, acontecimento que foi festejado com grande euforia pela população.
COMARCA - O interventor, entretanto, ainda foi mais adiante, e para surpresa de todos que se empenhavam em prol da emancipação do patrimônio, ele criava, concomitantemente, pelo mesmo decreto-lei, a comarca, o que não era usual, e por isso, ainda não estava em cogitação. Mas prevendo que ela seria futuramente objeto de novas solicitação, também brindava Apucarana como sede do Poder Judiciário, que abrangia na época, além de outras localidades igualmente emergentes, os atuais municípios de Rolândia, Arapongas e Mandaguari. O decreto-lei foi publicado no dia 31 no jornal "O Dia".
HOMENAGEM - O interventor Manoel Ribas, a quem Apucarana homenageia dando seu nome à antiga Praça Platina, nasceu em Ponta Grossa, no dia oito de marco de 1873. Em 1897 mudou-se para a cidade gaúcha de Santa Maria, onde ajudou a fundar e dirigiu a Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul, tendo ali, inclusive, sido eleito e exercido a partir de 1927, o cargo de prefeito municipal, quando conheceu e tornou-se amigo de Getúlio Dorneles Vargas, que após a vitória da Revolução de 1930, por ele liderada, convidou-o para interventor do Paraná, tendo governado pelo período de 30 de janeiro de 1932 a três de novembro de 1945, em decorrência da deposição de Getúlio Vargas.
Sua nomeação como interventor causou forte oposição interna, sob a alegação de ser gaúcho, para a visão provinciana de época, que julgava inconcebível ter um governador estrangeiro. A experiência administrativa e cooperativa de Manoel Ribas deu-lhe, no entanto, uma abertura de muito valor no retorno ao Paraná, que sob o seu domínio passou a exibir politicamente no cenário nacional e deu os primeiro passos em direção à integração regional. Comandou os destinos do estado e concentrou poderes como nenhum outro - nomeava todos os prefeitos do Paraná - e deixou a marca de seu estilo durão e intransigente, mas também sensível e pragmático, fazendo da honestidade a sua marca.
Contava seu filho Gustavo Ribas, que ele tinha o hábito de acordar muito cedo e aproveitava as primeiras horas da manha para dar "incertas" em repartições públicas, surpreendendo funcionários faltosos e relapsos. Numa repentina viagem de trem à cidade da Lapa (proximidades de Curitiba), desembarcou e não havia nenhuma autoridade local a esperá-lo e foi fulminante no comentário: "Lapa, berço de heróis, terra de vagabundos".
Era também muito generoso a se compadecia com o sofrimento alheio, a ponto de mandar operar pessoas, pagando as despesas do próprio bolso.
Faleceu em Curitiba, no dia 28 de Janeiro de 1946, quando se preparava para disputar nova eleição para governador.
NASCIMENTO OU BATIZADO? - Embora Apucarana não seja exceção à regra, pois a mesma discrepância ocorre em outras localidades, uma interrogação paira no ar. A comemoração do aniversário deveria ser, como se depreende, no dia 30 de dezembro (quando ele nasceu) e a partir daí já passava a existir concretamente, ou no dia 28 de janeiro, como ocorre, data da instalação, portanto (dia do batizado), quando apenas se cumpriu uma formalidade.