Face a denúncias de corrupção em sua administração,
segundo o jornal "Folha do Norte", que se editava em Maringá,
edição nº 1.036, de 10 de junho de 1966 "o edil Valmor Santos Giavarina,
que desde o primeiro dia lutou contra a política administrativa do prefeito
Álvaro, e que em seu programa de rádio apontou sem tréguas as
irregularidades, procurado pela reportagem, disse que a respeito da licença
só tinha conhecimento da convocação da Câmara para apreciação do pedido.
E salientou: "Não conheço o texto do documento; não sei qual o
sentimento que o levou a tomar aquela atitude; só sinto que essa atitude não
tenha surgido mais cedo. E foi mais adiante: Com o afastamento do sr. Prefeito,
tenho certeza, Apucarana haverá de recompensar o tempo perdido."
DESCANSO - Dia ainda o jornal que "falando à
reportagem, o prefeito Álvaro Aníbal disse que "uma administração como
a que ele vinha desenvolvendo em Apucarana", provocou-lhe, durante mais de
dois anos, forte cansaço, razão pela qual pediu licença de 120 dias à
Câmara para descansar. À pergunta da reportagem sobre irregularidades em sua
administração e ainda sobre a existência de um Inquérito Policial Militar,
o prefeito desmentiu tais fatos, voltando a frisar que deixava a Prefeitura
para descansar e que nada de anormal havia. Aduziu que suas contas foram
aprovadas normalmente pela Câmara, ressaltando possuir o apoio de 14 dos 15
ocupantes do Legislativo."
OPINIÃO PÚBLICA - Diz ainda a "Folha do
Norte", edição nº 1.037, de 17 de junho de 1966, que "a reportagem
voltou ontem à cidade de Apucarana, para assistir a posse do novo prefeito e
ouvir novos detalhes sobre as razões do pedido de licença do prefeito Álvaro
Aníbal. Com surpresa observamos que a opinião pública local estava
atribuindo ao vereador oposicionista Valmor Santos Giavarina as declarações
publicadas por este jornal e outros, a respeito das irregularidades propaladas
e que envolviam o prefeito licenciado. As demais informações foram ouvidas
pela reportagem junto a diversas pessoas residentes em Apucarana, e que nas
conversas de bares e em outros pontos da cidade, davam suas interpretações do
fato. Ontem, passado o impacto causado pelo acontecimento, as opiniões, dadas
de cabeça fria, eram mais claras, inclusive desfazendo a idéia de que o sr.
Álvaro Aníbal tenha cometidos atos de corrupção."
A REALIDADE - Esclarece ainda o jornal que "a
versão mais exata que pudemos sentir foi esta: 1) - Em conseqüência de um
movimento da Associação Comercial de Apucarana, que levantou dúvidas sobre
determinados fatos ligados à administração municipal, o próprio prefeito
Álvaro Aníbal nomeou uma comissão de alto nível para examinar todos os
documentos da Prefeitura. 2) - Essa comissão apurou defeitos na
documentação, defeitos esses que, de modo geral, são considerados pela
opinião pública do município como conseqüência de boa fé e não
propriamente de desonestidade, levantando como justificativa desse argumento o
fato de a comissão ter sido provocada pelo prefeito. 3) - Após os trabalhos
da comissão de alto nível, foi instaurado o Inquérito Policial Militar,
dirigido pelo coronel Luiz Gonzaga da Cunha. 4) - Esse IPM prossegue no exame
da documentação da Prefeitura, não tendo ainda revelado nenhum resultado. 5)
-Consta que um dos motivos do pedido de licença do prefeito Álvaro Aníbal,
foi o seu desejo de deixar à vontade os encarregados do inquérito, a fim de
que sejam apurados todos os fatos em sua plena realidade. 6) - Consta ainda que
o sr. Álvaro Aníbal se tem manifestado tranqüilo e que teria declarado
julgar-se em condições de explicar tudo o que for apurado. 7) - Somente
depois de concluído o inquérito e dependendo das provas encontradas e das
justificativas apresentadas é que se pensará se o prefeito deve ou não ser
mantido no cargo. 8) - Por outro lado, foi desmentido o noticiário divulgado
pela imprensa de Londrina e Curitiba, quanto à cassação de vereadores. Foi
dito inclusive que um vereador havia fugido da cidade, o que, segundo fomos
informados, não aconteceu. 9) - O coronel Luiz Gonzaga Pereira da Cunha,
encarregado do inquérito, solicitou que as notícias a respeito dos
acontecimentos de Apucarana sejam tranqüilizadoras, uma vez que, numa hora
dessas, em que a vida do município está sob emoção, é preciso estabelecer
um clima de paz e serenidade, para que tudo decorra normalmente, sem prejuízo
da comunidade e sem que seja atingida a honra de nenhum cidadão. 10)- Da mesma
forma, na Câmara de Vereadores percebe-se o desejo de unir as forças
políticas da cidade, dar total apoio ao novo prefeito e evitar pronunciamentos
capazes de perturbar a vida municipal."
A DEFESA DE ÁLVARO - entrevistado por uma revista
local, diz ele que "eu não queria falar disso, depois de 25 anos...Sabe,
eu tive um assessor, que gostaria que nem fosse publicado seu nome, que foi
acusado de várias irregularidades na Prefeitura e, por extensão, eu também
fui acusado de corrupção. É um absurdo, em sempre fui honesto e nunca admiti
que ninguém duvidasse probo e íntegro como era toda minha equipe. Não me
omiti, apenas abandonei o cargo porque não suportei tanta pressão em cima de
minha honestidade, eu não deixava ninguém roubar, não fazia a vontade dos
barões e coronéis da época. E se tivesse que reviver tudo, faria tudo
exatamente como fiz, não admito podridão, não admito roubalheira, dediquei
minha vida à causa pública, para ajudar o povo mais necessitado."
Ainda segundo a revista "o diretor administrativo da
gestão Álvaro, foi Luiz Carlos Toledo Soares (principal pivô das acusações
que pesaram contra a administração. Ao final do inquérito, Álvaro foi
inocentado, mas já era tarde: a renúncia tinha se consumado," conclui a
revista.
FALECIMENTO - Álvaro ultimamente tinha problemas de coração e um dos
braços inativos por causa de um derrame, obrigando-o a usar cadeira de rodas
na década de 80. Por vontade própria, depois de residir com um de seus
filhos, decidiu internar-se no Asilo São Vicente de Paulo de Apucarana, onde
faleceu às 11h30 do dia primeiro de junho de 1996, vítima de infarto, com 76
anos, sendo sepultado no Cemitério da Saudade, às 17h30.