Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às sextas-feiras :.
      Francisco Soares Dias Sobrinho
 
A renúncia do prefeito Álvaro Aníbal - II

 

 

Álvaro Aníbal 
Lautenschlager 
administrou 
Apucarana de 1963 a 1966

 

Álvaro Aníbal Lautenschlager foi eleito prefeito de Apucarana na eleição de seis de outubro de 1963, tomando posse no dia 31 de dezembro daquele mesmo ano.

Face a denúncias de corrupção em sua administração, segundo o jornal "Folha do Norte", que se editava em Maringá, edição nº 1.036, de 10 de junho de 1966 "o edil Valmor Santos Giavarina, que desde o primeiro dia lutou contra a política administrativa do prefeito Álvaro, e que em seu programa de rádio apontou sem tréguas as irregularidades, procurado pela reportagem, disse que a respeito da licença só tinha conhecimento da convocação da Câmara para apreciação do pedido. E salientou: "Não conheço o texto do documento; não sei qual o sentimento que o levou a tomar aquela atitude; só sinto que essa atitude não tenha surgido mais cedo. E foi mais adiante: Com o afastamento do sr. Prefeito, tenho certeza, Apucarana haverá de recompensar o tempo perdido."

DESCANSO - Dia ainda o jornal que "falando à reportagem, o prefeito Álvaro Aníbal disse que "uma administração como a que ele vinha desenvolvendo em Apucarana", provocou-lhe, durante mais de dois anos, forte cansaço, razão pela qual pediu licença de 120 dias à Câmara para descansar. À pergunta da reportagem sobre irregularidades em sua administração e ainda sobre a existência de um Inquérito Policial Militar, o prefeito desmentiu tais fatos, voltando a frisar que deixava a Prefeitura para descansar e que nada de anormal havia. Aduziu que suas contas foram aprovadas normalmente pela Câmara, ressaltando possuir o apoio de 14 dos 15 ocupantes do Legislativo."

OPINIÃO PÚBLICA - Diz ainda a "Folha do Norte", edição nº 1.037, de 17 de junho de 1966, que "a reportagem voltou ontem à cidade de Apucarana, para assistir a posse do novo prefeito e ouvir novos detalhes sobre as razões do pedido de licença do prefeito Álvaro Aníbal. Com surpresa observamos que a opinião pública local estava atribuindo ao vereador oposicionista Valmor Santos Giavarina as declarações publicadas por este jornal e outros, a respeito das irregularidades propaladas e que envolviam o prefeito licenciado. As demais informações foram ouvidas pela reportagem junto a diversas pessoas residentes em Apucarana, e que nas conversas de bares e em outros pontos da cidade, davam suas interpretações do fato. Ontem, passado o impacto causado pelo acontecimento, as opiniões, dadas de cabeça fria, eram mais claras, inclusive desfazendo a idéia de que o sr. Álvaro Aníbal tenha cometidos atos de corrupção."

A REALIDADE - Esclarece ainda o jornal que "a versão mais exata que pudemos sentir foi esta: 1) - Em conseqüência de um movimento da Associação Comercial de Apucarana, que levantou dúvidas sobre determinados fatos ligados à administração municipal, o próprio prefeito Álvaro Aníbal nomeou uma comissão de alto nível para examinar todos os documentos da Prefeitura. 2) - Essa comissão apurou defeitos na documentação, defeitos esses que, de modo geral, são considerados pela opinião pública do município como conseqüência de boa fé e não propriamente de desonestidade, levantando como justificativa desse argumento o fato de a comissão ter sido provocada pelo prefeito. 3) - Após os trabalhos da comissão de alto nível, foi instaurado o Inquérito Policial Militar, dirigido pelo coronel Luiz Gonzaga da Cunha. 4) - Esse IPM prossegue no exame da documentação da Prefeitura, não tendo ainda revelado nenhum resultado. 5) -Consta que um dos motivos do pedido de licença do prefeito Álvaro Aníbal, foi o seu desejo de deixar à vontade os encarregados do inquérito, a fim de que sejam apurados todos os fatos em sua plena realidade. 6) - Consta ainda que o sr. Álvaro Aníbal se tem manifestado tranqüilo e que teria declarado julgar-se em condições de explicar tudo o que for apurado. 7) - Somente depois de concluído o inquérito e dependendo das provas encontradas e das justificativas apresentadas é que se pensará se o prefeito deve ou não ser mantido no cargo. 8) - Por outro lado, foi desmentido o noticiário divulgado pela imprensa de Londrina e Curitiba, quanto à cassação de vereadores. Foi dito inclusive que um vereador havia fugido da cidade, o que, segundo fomos informados, não aconteceu. 9) - O coronel Luiz Gonzaga Pereira da Cunha, encarregado do inquérito, solicitou que as notícias a respeito dos acontecimentos de Apucarana sejam tranqüilizadoras, uma vez que, numa hora dessas, em que a vida do município está sob emoção, é preciso estabelecer um clima de paz e serenidade, para que tudo decorra normalmente, sem prejuízo da comunidade e sem que seja atingida a honra de nenhum cidadão. 10)- Da mesma forma, na Câmara de Vereadores percebe-se o desejo de unir as forças políticas da cidade, dar total apoio ao novo prefeito e evitar pronunciamentos capazes de perturbar a vida municipal."

A DEFESA DE ÁLVARO - entrevistado por uma revista local, diz ele que "eu não queria falar disso, depois de 25 anos...Sabe, eu tive um assessor, que gostaria que nem fosse publicado seu nome, que foi acusado de várias irregularidades na Prefeitura e, por extensão, eu também fui acusado de corrupção. É um absurdo, em sempre fui honesto e nunca admiti que ninguém duvidasse probo e íntegro como era toda minha equipe. Não me omiti, apenas abandonei o cargo porque não suportei tanta pressão em cima de minha honestidade, eu não deixava ninguém roubar, não fazia a vontade dos barões e coronéis da época. E se tivesse que reviver tudo, faria tudo exatamente como fiz, não admito podridão, não admito roubalheira, dediquei minha vida à causa pública, para ajudar o povo mais necessitado."

Ainda segundo a revista "o diretor administrativo da gestão Álvaro, foi Luiz Carlos Toledo Soares (principal pivô das acusações que pesaram contra a administração. Ao final do inquérito, Álvaro foi inocentado, mas já era tarde: a renúncia tinha se consumado," conclui a revista.

FALECIMENTO - Álvaro ultimamente tinha problemas de coração e um dos braços inativos por causa de um derrame, obrigando-o a usar cadeira de rodas na década de 80. Por vontade própria, depois de residir com um de seus filhos, decidiu internar-se no Asilo São Vicente de Paulo de Apucarana, onde faleceu às 11h30 do dia primeiro de junho de 1996, vítima de infarto, com 76 anos, sendo sepultado no Cemitério da Saudade, às 17h30.


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