Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às segundas-feiras :. Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - XXXII

Como acontece com todas as localidades recém fundadas, é óbvio, falta tudo. Elas só se desenvolvem graças a perseverança, ao trabalho persistente e dedicado de seus pioneiros, que se sujeitam, e não raro também suas respectivas famílias, a toda sorte de sacrifícios, a começar pelo seu desbravamento e a conquista, paulatinamente, de melhores condições de vida, através da implementação sucessiva de equipamentos comunitários que possam vir ao encontro das lídimas aspirações de seus moradores.
PRIMÓRDIOS - Em Apucarana não poderia ser diferente. Desde 16 de fevereiro de 1934, quando aqui chegou Benevides Mesquita, após um dia de exaustiva viagem a cavalo, procedente de Londrina, para dar início ao trabalho de fundação do patrimônio em nome da Companhia de Terras Norte do Paraná, tudo era mata densa e exuberante, que o machado e a foice foi pondo ao chão, abrindo clareiras e levantando ranchos toscos de palmito e cobertos de tabuinhas ou lona e de chão batido, que se enfileiravam ao longo dos picadões no meio da derrubada, formando um cenário diferente, síntese da evolução e uma epopéia que reclama alguém com engenho e arte para contar a odisséia de quantos que para cá vieram e plantaram no topo da serra uma cidade: Apucarana.
A poeira avermelhada que se levantava do leito das ruas, que era um verdadeiro martírio para as donas de casa, que não conseguiam, apesar de sua dedicada vocação, manter suas residências limpas; igualmente os comerciantes, para manter limpos o balcão e as mercadorias expostas; o vento ininterrupto que só dava uma satisfação: erguia a saia das moças, função que posteriormente passou a não ter a mesma serventia, com o surgimento da mini-saia, que "roubou" o seu serviço; a dificuldade para se conseguir água potável, que somente era conseguida através da perfuração de poço no solo, trabalho que muitas vezes era totalmente inútil quando se deparava com uma camada de pedra no subsolo, e que era puxada com balde amarrado no sarilho (cilindro disposto horizontalmente e no qual se enrola corda, cabo ou corrente de um aparelho de levantar pesos", segundo o lexicólogo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira); a chuva, que formava uma lama pegajosa e escorregadia, que causavam freqüentes tombos nos transeuntes; os buracos nas ruas que eram verdadeiros atoleiros em dias de chuva, causando sérios transtornos aos motoristas, que tinham seus veículos encalhados e que só conseguiam livrá-los com a cooperação de amigos, que formavam verdadeiro mutirão.
Muitos outros problemas que afetavam e deixavam atônita toda a população, teríamos ainda a relatar, pois são próprios de localidades ainda em formação. A nossa intenção foi apenas a de focalizar alguns de seus aspectos primitivos, pois caso contrário, este espaço não nos seria suficiente.

Em destaque o pioneiro Benevides Mesquita, que aqui chegou em 16 de fevereiro de 1934. Abaixo, pela ordem, outros pioneiros que aqui chegaram no ano de 1936: Hercílio Vanderley de Alencar, Pedro Vieira dos Santos, Carlos Schmidt, Matsujiro Takaji, Kichitaro Kayukawa, Yoneso Matsui, Kiyoshi Miyaji, Shiquezo Kita e Tarao Motoshima.

Apucarana tinha em 1946, uma extensão territorial de 18 mil quilômetros quadrados, que abrangia além da sede, mais os Distritos de Mandaguari, com os progressistas povoados de Jandaia do Sul, Marialva e Paranavaí; Araruva (atual Marilândia do Sul), com ricas fazendas de criação de gado bovino e suíno, contando com o povoado de Califórnia; e Faxinal, com abundante comércio de madeira e suíno. Terras férteis e então ambicionadas que fazia o orgulho de uma geração, como o café e o algodão. No ano de 1945 o município produziu 800 mil sacas de café; 460 mil sacas de feijão; 1 milhão e 500 mil sacas de milho; e 1 milhão e 300 mil sacas de arroz.

 

 

 

 

 

 

 


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