Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às segundas-feiras :. Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - XXXV

Apesar de sua fundamental importância para o incremento de qualquer atividade econômica e do conforto que oferece, a eletrificação no Paraná só começou a ser desenvolvida no dia nove de setembro de 1890, quando era presidente da Intendência Municipal, o dr. Vicente Machado da Silva Lima (09-08-1860 a 03-03-1907), que assinou um contrato com a Companhia de Água e Luz do Estado de São Paulo, para iluminar aquela cidade com uma força iluminativa de 11 mil velas. Baseado nesse contrato e com uma concessão de 20 anos, a citada empresa instalou a primeira usina elétrica no Paraná, a qual começou a funcionar no dia 12 de outubro de 1892, com duas unidades de vapor, que produziam 4.270 HP de força, consumindo 200 metros cúbicos de lenha por dia. (Encarte do Jornal do Estado - 130 Anos do Paraná - Curitiba).
NORTE DO PARANÁ - Com o desbravamento do Norte do Paraná, a região foi abastecida primeiramente por subsidiárias de empresas estrangeiras, com sede em São Paulo, a exemplo da Companhia Luz e Força de Santa Cruz, na sua usina no Salto de Piraju, que atendia as cidades norte-paranaenses de Jacarezinho e Ribeirão Claro, cidades paulistas, além de povoados e fazendas e a Companhia Hidrelétrica do Paranapanema. (Engenheiro Nelson de Godoy Ferreira - "Folha de Apucarana", edição nº 13, de 21 de agosto de 1947).
LONDRINA - A energia só chegou a Londrina no dia 11 de junho de 1938, sob festas e vivas, marcando o inicio das atividades da Empresa Elétrica. A sua fonte, um modesto gerador de 40 HP, acionado por locomóvel, que passou a atender, além de Londrina, Arapongas, Rolândia, Cambe, Ibiporã e Jataizinho. A carência de energia elétrica não podia ser resolvida por essas empresas particulares. O Paraná não contava, ainda, com um Plano Hidrelétrico, que só foi elaborado em 1948.
APUCARANA - Como não estivesse interligada a uma fonte geradora de energia, sem outra alternativa, a população teve que enfrentar tal situação com redobrado ânimo e perseverança, utilizando o lampião Petromax (lâmpada alimentada com querosene), vela ou lamparina.
Conta o pioneiro Hélio de Oliveira, que aqui chegou em 1937, que "após a instalação do município no dia 28 de janeiro de 1944, a municipalidade assumiu o serviço, tendo o primeiro nomeado, tenente Luiz José dos Santos (28-01-1944 a 14-10-1945), adquirido um locomóvel (máquina a vapor sobre rodas), o qual foi instalado no pátio da Prefeitura, na quadra entre a Praça Palmas (atual Rui Barbosa) e a Rua Piraquara (atual Osório Ribas de Paula), onde se localiza o prédio da agência dos Correios, pelos senhores Antônio Vieira e Tadeu Barutti". Por outro lado, afirma a pioneira, professora Osçana Berehulka Osachuki "que meus pais Nicolau (Tecla) Berehulka, aqui chegaram em 1936, e a ele foi dado a incumbência de ir buscar esse primeiro locomóvel em Ponta Grossa, transportando-o em caminhão até Apucarana".
INAUGURAÇÃO - "Quando de sua inauguração, espocaram foguetes. Entretanto, a alegria durou pouco, face a enorme demanda de energia, em decorrência do rápido desenvolvimento urbano. Na ocasião, construía-se mais de 20 casas por dia e todos desejavam substituir o Petromax pela energia elétrica, a fim de desfrutarem de programas radiofônicos. Luz e força no setentrião provinham do Estado de São Paulo e Londrina era a meta final", declara o advogado João Baptista Alberto Gnoato, que aqui chegou em 1944 e exerceu, inclusive, o cargo de terceiro prefeito nomeado, de 03-04-1946 a 20-10-1946.
CONTRATO - Visando amenisar o crucial problema, a Prefeitura Municipal em 1945, firmou o contrato com a Empresa Elétrica de Londrina para o fornecimento de luz e força, o qual deixou muito a desejar, como se depreende de matéria publicada no jornal "O Clarim de Apucarana", edição nº 20, de 22 de julho de 1945, que diz: "Já por várias vezes temos batalhado pelas colunas deste jornal, contra os desmandos e desleixos por que está sendo vítima esta cidade.
Como os leitores devem ter lido e apreciado a transcrição de diversos artigos e cláusulas do contrato para o fornecimento de luz e força, poderão vir em nosso auxílio, cerrando fileiras ao lado dos noventa e nove por cento dos que estão sacrificados, para fazermos desaparecer esse monopólio de uma empresa que nem sequer tem o senso de responsabilidade para com o público e para o Governo Municipal. O contrato de luz e força é claro, não deixando dúvidas das responsabilidades que deve ter a empresa para com o município. No entanto, nada disso acontece. Os dirigentes nem sequer têm a delicadeza de avisar a Prefeitura das irregularidades havidas no fornecimento de luz. Não observam, nunca observaram e observarão o dito contrato, enquanto permanecer esta cidade no mesmo estado de coisas que se encontra.
Podemos informar, com as devidas reservas, que até o momento nenhum ofício foi endereçado à Prefeitura sobre as interrupções havidas. Estas têm sido em número elevadíssimo. Até hoje, acreditamos também, não tenha a Prefeitura recebido da dita empresa um real sequer das multas contratuais e descontos oriundos das interrupções constantes.
Mais uma vez apelamos para a dignidade do criterioso povo de Apucarana, no sentido de resolvermos, imediatamente, a situação desse crônico e tenebroso caso da luz e força", conclui o jornal.

Manchete do Jornal O Clarim de Apucarana, edição nº 20 de 22 de julho de 1945 sobre as constantes interrupções da energia elétrica na cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


VOLTAR

 

Clique
aqui
para

enviar
esta
 matéria
para um amigo.

                                                                                                            VOLTAR