Voltando ao momentoso assunto relacionado com o grave problema da luz e energia, transcrevemos o artigo do advogado João Baptista Alberto Gnoato, inserido no Jornal "Folha de Apucarana", edição nº 4, de 8 de junho de 1947.
"Quando da estréia da renomada Companhia Teatral Tic-Tac, com o pavilhão montado a Praça Palmas com a peça "Compra-se um Marido", a cidade ficou às escuras. Os espectadores mais pacientes tiveram a oportunidade de, mais uma vez, meditar a que ponto chega a falta do imprescindível melhoramento. Bate-se na mesma tecla e a questão da força e luz continua no cartaz.
PERDA DE EMPRESAS - Que tristeza invadia o coração de certos prefeitos, quando grandes empresas aqui deixaram de se estabelecer, exclusivamente por falta de energia. Em 1946, no curto espaço de sete meses, perdemos nada menos de dez indústrias diversas. Daí deduzimos: cidade nova como a nossa, com grande produção cerealífera, madeira e suínos, indubitavelmente, de há muito está a reclamar sua industrialização.
DESCONFORTO - Não temos luz em casa. Nossa colaboração a imprensa é feita à queima-pestana. Sujeitamo-nos, contudo, a tal desconforto, pois que não há outra alternativa. Mesmo assim, conformar-se com a situação? Impossível. Jantar, escrever, receber visita à luz de querosene ou vela... e depois consolar-se com a sorte dos que perderam a viagem, gastaram dinheiro e em compensação desfizeram planos de construir fábricas no sentido de impulsionar o nosso progresso. É deveras lamentável o que ocorre nesta Apucarana, a despeito da ininterrupta prosperidade, por ora aliada a boa dose de sacrifícios. Sabemos muito bem quanto se lutou para obtermos essa insignificância, essas lâmpadas, vagalumes inferiores ao velho lampião a óleo que iluminava as cidades de antanho.
QUE FAZER ? - Derribar postes? Cortar os fios? Destruir transformadores? Não resolve. Por outro lado, a Empresa Elétrica de Londrina jamais operaria milagres. Já se foi o tempo das explosões dessas "quebras" que redundem em prejuízo da própria coletividade. Se não formos pessimistas, aguardaremos trinta meses, segundo o menor cálculo dos entendidos, para que a cidade seja abastecida de luz e força. Esperar até lá, corresponde a dizer: estacar o ritmo anormal do desenvolvimento de Apucarana, sob todos os pontos de vista. Luz - conforto, segurança. Força - prosperidade, garantia de futuroso porvir.
A instalação de geradores capazes de impulsionar pequenas indústrias e fornecer luz às nossas casas, constitui a única válvula de escape ante esse estrangulamento, sufucação mortal e criminosa. Aliás, no ano próximo passado, tinha se estabelecido entre a Prefeitura local e a empresa Elétrica de Londrina, um entendimento no tocante a montagem de geradores a fim de preencher deplorável lacuna, mas a burocracia, maldita herança que nos vem da era colonial, não o permitiu.
É CONLUIO, É TRAMA - "Aguardar pacientemente os fins desde Apucaraninha, é contribuir para o insucesso, o fracasso dos homens empreendedores cheios de boa vontade e imbuídos de entusiasmo. É conluio, é trama, é conspiração contra tudo o que possuímos e desejamos para felicidade de Apucarana", conclui o Jornal.
OBS - Salto Apucaraninha era o local onde a Empresa Elétrica de Londrina estava construindo uma usina, que viria abastecer nossa cidade de luz e força.
ESPINHA IRRITATIVA - A solução encontrada pela Empresa Elétrica de Londrina não satisfez, o que motivou a "Folha de Apucarana", edição nº 15, de 25 de julho de 1948, a voltar a abordar o assunto, enfatizando que "a questão da energia elétrica é a espinha irritativa da população. As obras do Apucaraninha, se bem que bastante adiantadas, não justificam o abandono ou a relegação do problema. O Governo do Estado - esclarecia - bem compreendendo a situação aflitiva da população, está diligenciando no sentido de melhorar as condições atuais do fornecimento de luz e energia, por meio de um conjunto diesel de 1.200 HP.
COMISSÃO - Essa alternativa foi o resultado de uma reunião entre o governador Moysés Lupion (12-03-1947 a 31-01-1951) e (31-01-1956 a 31-01-1961), o prefeito Carlos Massaretto (11-12-1947 a 11-12-1951) e os vereadores Jorge Amin Maia, presidente da Câmara, médico Dagoberto Pusch e Adriano Corrêa, membros da primeira legislatura.
TELEGRAMA - No dia 10 de janeiro de 1949 foi encaminhado ao governador um telegrama, subscrito pelos prefeitos Carlos Massaretto, de Apucarana; Júlio Junqueira, de Arapongas; Adalberto Junqueira Silva, de Rolândia; Hugo Cabral, de Londrina; e os engenheiros Luiz Orlando, diretor do Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica; Nelson Godoi Ferreira, inspetor da Empresa Elétrica de Londrina, vazado nos seguintes termos: "... ficou estabelecido um "modua vivendi" provisório relativo ao fornecimento do excedente de energia elétrica por parte da usina de emergência de Apucarana aos municípios pertencentes à zona de concessão da Empresa Elétrica de Londrina, a qual, no momento, não está em condições de suprir as necessidades dos mesmos. Este acordo provisório perdurará até a inauguração da usina de Apucarana, que está sendo construída".
INAUGURAÇÃO - O prédio da Usina Diesel Elétrica do Vale do Ivaí foi inaugurado no dia 20 de março de 1949 pelo governador Moysés Lupion, com a presença de secretários de Estado, fazendo-se ouvir na ocasião vários oradores, além da presença de grande número de populares.