O Problema de luz e força em nossa cidade se constituiu num autêntico desafio por longos dezessete anos às autoridades estaduais e municipais, gerando grande celeuma e uma série infindável de críticas as mais contundentes por parte da imprensa na época, que refletia a angústia da população, algumas das quais transcrevemos:
NOVO CLAMOR - "O povo de Apucarana levanta novo clamor contra a irresponsabilidade dos encarregados da usina elétrica local que, sem aviso prévio, numa demonstração revoltante de indiferença ao prejuízo coletivo que pega e mantém a preço exorbitante uma empresa que envergonha o município. O apucaranense está cansado de ser pacato, de esperar e de ser ludibriado". (Gazeta de Apucarana, nº 13, de 21 de fevereiro de 1952).
PÉ DE GUERRA - "A população fechou na manhã de ontem o usina elétrica. Em pé de guerra, a população local. Sustado um movimento subversivo. Situação precaríssima dos motores que por mais algumas horas, dariam sérias explosões, em prejuízo de vida e material. (Correio do Lavrador, nº 143, de 03 de agosto de 1952).
REVOLTA - "Apucarana, pela manhã de sábado, dois do corrente, viveu momentos de grande tensão nervosa, quando o povo se propunha a dar vasão aos seus desejos de protesto, pelo panorama desolador que se observava e disposto mesmo a tomar as medidas mais drásticas, movido pelo espírito de revolta... (Correio nº 144, de 10 de agosto de 1952).
SITUAÇÃO DEPRIMENTE - "Continua sem solução o problema de luz, a despeito das "conversas" ora dos "entendidos", ora dos colecionadores de promessas. É deprimente essa situação que não permite o desenvolvimento do nosso comércio, pois os que aqui vêm com interesse de explorar qualquer ramo, especialmente industrial, voltam desiludidos, cônscios de que não é promessa que toca máquinas, nem conversa que produz força e luz. O que é lamentável é que também falta "luz" na mentalidade dos políticos de Apucarana". (Gazeta nº 39, de 11 de setembro de 1952).
PAPAI NOEL - "O povo de Apucarana pede a Papai Noel que traga um pouco de luz aos seus políticos, já que a luz de diesel elétrica não passa de mera ficção. (Gazeta nº 50, de 25 de janeiro de 1953).
SÉRIA AMEAÇA - "Em estado lastimável e constituindo séria ameaça aos que transitam por certas ruas da cidade, os postes da finada iluminação. Por enquanto "balançam", mas não "caem", mas podem cair um dia. A quem reclamar? À Prefeitura ou à diesel elétrica? Virá a Apucarana o sr. Moysés Lupion, mais provável governador do Paraná. Tomara que chegue à noite, para ver de perto a feição da "menina dos seus olhos". (Gazeta nº 53, de 15 de janeiro de 1953).
ONDE ESTÃO OS POLÍTICOS?- " O Departamento de Águas e Energia Elétrica em Curitiba, agindo premeditadamente contra nossa cidade "segurando" o óleo necessário e não autorizando sua compra em Londrina. Onde estão os políticos de Apucarana?" (Gazeta nº 59, de 26 de fevereiro de 1953).
CLAMOR POR ÓLEO -"Continuam silenciosos os barulhentos motores da diesel elétrica durante o dia, aumentando os prejuízos do comércio. Enquanto os nordestinos clamam por água, nós clamamos por óleo. (Gazeta nº 60, de 05 de março de 1953).
INDÚSTRIAS PARADAS - "Luz até às quatro horas da manhã e durante o dia nossas indústrias paradas por falta de força. Isso acontece em Apucarana. Muitas ruas da cidade se acham em desmantelada escuridão, os hospitais não dispõem de energia para atender com a presteza devida, a indústria está prejudicada e limitada, e estas que já existem e as que têm intuito de aqui permanecer "demandam" para outras plagas, as residências quase em sua maioria se acham iluminadas a velas e lampiões... tornando Apucarana aquela aldeia pacata do interior, sem luz e sem assistência governamental. A Associação Comercial local oficiou ao Governo do Estado, lembrando a promessa feita sobre o fornecimento de uma quota de energia elétrica de Salto Grande para abastecer nossa cidade". (Correio nº 203, de 05 de outubro de 1953).
POLITIQUEIROS - "Pergunta-se, no caso de serem verdadeiras as denúncias recebidas, se motores da usina elétrica local, propriedade do Estado e por conseguinte do povo, podem ser retirados e entregues a estranhos, por influência de politiqueiros adventícios e irresponsáveis. Eles já podem imiscuir-se, lançando mão do patrimônio do povo para "doar" de mão beijada aos que lhes são simpáticos?". (Gazeta nº 116, de 29 de abril de 1954).
COPEL - Como o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado não podia desincumbir-se da tarefa, o governador Bento Munhoz da Rocha Neto (31-01-1951 e 03-04-1955), no dia 26 de outubro de 1954 assinou o decreto nº 14.947, criando a Companhia Paranaense de Energia Elétrica, que iniciou sua atividade em nossa cidade no dia 1º de agosto de 1956, sem contudo resolver o problema.
SOLUÇÃO - Apesar de todos os esforços dos governadores Moysés Lupion (12-03-1947 a 31-01-1951) e (31-01-1956 a 31-01-1961) e Munhoz da Rocha, o crucial problema energético continuou em pauta e só foi solucionado definitivamente a partir da arregimentação das Associações Comerciais da região, capitaneadas pela nossa Associação Comercial e Industrial junto ao governador Ney Aminthas de Barros Braga (31-01-1961 a 17-11-1965), que obteve do então governador de São Paulo, Carlos Alberto de Carvalho Pinto, a concessão de uma quota da usina hidráulica de Salto Grande, que aqui chegou no dia 18 de setembro de 1961, um velho sonho que se tornava realidade, libertando nossa cidade do ostracismo industrial a que estava condenada, num confronto contristador com sua pujança econômica, despertando-a de seu sono profundo, ao sepultar para sempre os famigerados motores da usina elétrica Vale do Ivaí. A chegada da luz e força foram a redenção não só de nossa cidade, mas também de toda a região por ela abastecida.