Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às segundas-feiras :. Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - XLIV

A principal opção do padre Armando Círio, após sua posse como segundo vigário da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no dia 14 de novembro de 1948, estimulado principalmente pelo bispo da Diocese de Jacarezinho, Dom Geraldo de Proença Sigaud, era a construção de uma igreja de alvenaria que refletisse o elevado espírito de catolicidade dos apucaranenses e a pujança econômica do florescente município, decisão que o fez não mais pensar em reforma da segunda igrejinha sem arte de madeira, mas sim, pela edificação de uma obra que se constituísse num verdadeiro monumento, que segundo o estilo e dimensões, suplantasse as outras de quase toda a Diocese de Jacarezinho - a única até então existente no Norte do Paraná - que possuía uma grande extensão territorial que abrangia toda a região conhecida como Norte pioneiro até a cidade de Mandaguari, definição que fez crescer o entusiasmo dos católicos em torno de tão importante e imprescindível empreendimento
PROJETISTA - Coube ao engenheiro, arquiteto e decorador Eugênio Proença Sigaud, com escritório na época á Av. Presidente Vargas, 149, no Rio de Janeiro, a incumbência de elaborar o respectivo projeto arquitetônico.
Ele nasceu em 1899 em Santo Antônio de Carangola, Estado do Rio de Janeiro. Passou sua juventude em Belo Horizonte, onde estudou engenharia e começou a "pintar" muros com "tintas" feita da terra. Em 1921 veio para o Rio de Janeiro e estudou na Escola Nacional de Belas Artes, onde se graduou como arquiteto. Foi um dos fundadores em 1931, do Núcleo Bernardelli, grupo que marcou a renovação da arte na então capital federal, buscando a democratização e modernização da arte. Era conhecido como o "pintor operário" e como arquiteto, sempre lidou com trabalhadores da construção e assim acreditava no papel social da arte.
JACAREZINHO - Em 1954, junto com a família, decidiu se mudar do Rio de Janeiro para a cidade norte-paranaense de Jacarezinho, para pintar murais da igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a convite de seu irmão Dom Geraldo de Proença Sigaud, então bispo da Diocese, residente naquela cidade. Manteve a linguagem social até então uma característica dos seus trabalhos, desenvolvendo temas sempre voltados para a comunidade, a exemplo de plantas da região ou representando pessoas do lugar.
Em 1957, desintendeu-se com o vigário da Catedral e resolveu voltar para o Rio de Janeiro, deixando, inclusive, um painel em branco, no qual seria representada a ressurreição de Cristo. Suas obras são o maior patrimônio cultural de Jacarezinho e se constituem nas únicas pinturas sacras do interior do Brasil.
OUTRA OBRAS - Além da Catedral de Jacarezinho, pintou também as paredes da igreja de São Jorge,no Rio de Janeiro, participou de exposição desde o ano de 1923, mas fez poucas individuais. Somente em 1970, com uma boa cotação de seus trabalhos no mercado, algumas galerias decidiram promover mostras com suas obras, que foram pintadas em estilo figurativo.
Eugênio Proença Sigaud morreu em 1979, vítima de um acidente vascular cerebral.
PEDRA FUNDAMENTAL - Concluindo o projeto arquitetônico, no dia 10 de fevereiro de 1949, às 17:00 horas, no quilômetro dois da estrada Apucarana - Arapongas, Dom Geraldo era recebido pelas autoridades locais com uma caravana de automóveis que conduziu até o centro da cidade.
No dia 11 - festa litúrgica de N.S. de Lourdes, padroeira da Apucarana - às 10:00 horas, foi recepcionado pelas autoridades e o povo, ocasião em que fez uso da palavra em nome da Paróquia e do Município, o advogado e vereador João Baptista Alberto Gnoato, seguindo-se a solenidade de lançamento da pedra fundamental da nova matriz (cuja ata transcreveremos na próxima edição), assistida por uma multidão que se comprimia em derredor onde foi armado um estrado, oportunidade em que Dom Geraldo usou da palavra novamente, bem como o advogado Octávio de Sá Barreto, designado para falar oficialmente, ambos empolgando a multidão pela eloqüência e sabedoria.
CAMARA - Após, Dom Geraldo, acompanhado pelas autoridades e o povo, dirigiu - se à sede do Legislativo à Praça Rui Barbosa, 210, onde funcionava o Cinema Apucarana, a fim de proceder a bênção e a introdução de imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado em seu recinto, sendo recebido pelo presidente Adelino Honório Corrêa e saudado, em nome de seus pares, pelo vereador Renê Camargo de Azambuja.
FESTEIROS - Wunebaldo Roth, Carlos Antonio Sartori, Antônio Roque Pedroso e respectivas esposas, João Baptista Vidor, Atílio Carletto, Luiz Facio e João Baptista Alberto Gnoato.

O jornal "Comarca de Apucarana", edição nº 50, de 10 de fevereiro de 1949., noticiava a visita de Dom Geraldo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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