Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às segundas-feiras :. Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Apucarana: Nossa Terra - Nossa Gente - LII

Dando continuidade às entrevistas feitas pelo advogado Octávio de Sá Barreto, diretor-proprietário do Jornal "Correio do Lavrador", que abordava o tema "A Casa de Deus em Apucarana", com objetivo de auscultar as opiniões de pioneiros e respeito da permuta de parte do terreno doado pela Companhia de Terras Norte do Paraná à Diocese de Jacarezinho, a fim de nele ser construída a primeira igrejinha de madeira na Praça Palmas (atual Rui Barbosa) por outro de propriedade do município, que permitisse a edificação da atual Catedral N.S. de Lourdes, o referido periódico, em sua edição nº 6, de 9 de fevereiro de 1950, fazia uma introdução a respeito do problema, afirmando que "o interesse que todos vêm manifestando sobre a questão da permuta de locais para a construção definitiva da nova matriz, é a prova evidente de que a população está empenhada numa boa e urgente solução para o problema. Toda a cidade acompanha com atenção, o desenrolar dos acontecimentos".
Desta feita foi ouvido o coronel Elídio Stábile, segundo o jornal "uma das mais representativas figuras de Apucarana, dos nossos maiores agricultores e um dos mais antigos moradores no município, que disse-nos, com firmeza:
"Por que mudar a Igreja? - O local doado pela Companhia de Terras foi ali, a primeira missa ali foi rezada, a primeira igreja se levantou ali, a segunda igualmente, a pedra fundamental da nova matriz foi ali mesmo lançada solenemente pelo próprio bispo Dom Geraldo de Proença Sigaud. Para que, pois mudar o templo? Só por causa do vento? E a tradição, não vale nada? Ademais uma igreja não é lugar de diversão e sim de respeito, penitência. Se vigorar a idéia da troca, levaremos anos a fio sem igreja e sem praça.
Sou, pois, pela construção imediata da matriz ao redor da atual, para aproveitamento desta até o fim. Para isso, como já declarei e sustento, darei como auxílio uma partida de café e 50 mil tijolos. Se não for assim, acho que me desobrigo de meus compromissos", concluiu o coronel Elídio Stábile.
"Como vemos - comentou o jornal - o nosso prezado amigo e velho apucaranense coronel Stábile, é incisivo: está contra a mudança".
Também é Contra - A mesma edição do "Correio do Lavrador" também publicava a opinião de Benevides Mesquita e afirmava igualmente ser ele "conhecidíssimo e popular corretor de terras e um dos pioneiros desta zona, também é contra. Declarou-nos: "Não vejo razões plausíveis para a pretendida mudança. Ajudei, em 1937-38, com a diminuta população de então, a levantar o primeiro templo.
O segundo também teve a minha cooperação, e com que sacrifícios para todos, foi construída.
Acho que o pretendido não melhorará em nada a situação e só irá acarretar despesas, incômodos, prejuízos e descontentamentos. Sou, pois, contra a idéia e, tanto o sou que encabecei um abaixo-assinado da população local dirigido à Câmara Municipal (o qual já publicamos), que negue a proposta", finalizou Benevides Mesquita.
Concentração Mariana - No dia três de julho de 1949, realizou-se a primeira Concentração Mariana da Paróquia N. S. de Lourdes, que reuniu jovens procedentes das localidades de Astorga, Aricanduva, Jandaia do Sul, Marumbi, Itacolomi, Sete de Maio, Pirapó, São Domingos, Cambira e Marialva, num total de 500 jovens.
Desde cedo reinava incontido entusiasmo dos participantes, que chegavam em jardineiras e caminhões, empunhando a Bandeira Mariana e entoando hinos à Deus e a Maria Santíssima, seguindo-se a missa campal às 10 horas em frente da matriz, durante a qual usou da palavra o padre Armando Círio, vigário desta Paróquia e diretor da Congregação Mariana. Às 14 horas, realizou-se a sessão solene de instalação no armazém de propriedade de Ítalo Ado Fontanini, na Avenida Munhoz da Rocha, ocasião em que saudou os presentes o padre João Barbieri, e posteriormente o padre Armando Círio, que citou fatos históricos e apresentou as principais causas da incompreensão dos povos frente ao dever comum a todo ser humano: a verdadeira prática da religião. Finalmente teceram considerações a respeito do movimento mariano, o advogado João Baptista Alberto Gnoato, presidente da Congregação Mariana de Apucarana e o dentista Moisés Alves de Souza, representante da Federação Mariana de Curitiba.
Desfile - Uma das fases que impressionou sobremaneira a população, foi o imponente desfile da falange da Fita Azul pelas principais ruas da cidade, que se constituiu num espetáculo jamais registrado em todo o Norte do Paraná.
Por certo, o notável acontecimento foi gravado com letras de ouro, em mais uma página que a juventude escreveu para a grandeza e felicidade da Pátria comum - nosso Brasil ! ( "Folha de Apucarana", edição nº 65, de 10 de julho de 1949).

Benevides Mesquita

 

Coronel Elídio Stábile

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
   

 


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