Apesar do Bispo Dom Geraldo de Proença Sigaud haver encaminhado ofício à Câmara Municipal, solicitando e justificando o por que de parte do terreno da Diocese de Jacarezinho com outro do município, para que houvesse condições para a construção da atual Catedral N. S. de Lourdes, através do ofício datado de 23 de agosto de 1949 (já publicado), somente na reunião do Legislativo do dia 22 de março de 1950 é que o vereador e então Promotor de Justiça Henrique Victor Giublin solicitou à Casa que fosse feita a primeira discussão do referido ofício, conforme consta da ata da referida reunião, que transcrevemos:
"Fazendo uso da palavra, o vereador Henrique Victor Giublin pede que seja feita a primeira discussão do ofício apresentado por Dom Geraldo, solicitando parecer da Casa com referência à construção da nova matriz de Apucarana.
Como o parecer da Comissão de Legislação e Justiça não foi ainda apresentado, invoca o orador o art. 33, parágrafo 1º do Regimento Interno, que reza: havendo demora na apresentação dos pareceres, qualquer vereador poderá requerer que a matéria se torne objeto de deliberação da Câmara, seguindo o trâmites regimentais". A Casa, por unanimidade aprova a sua idéia, sendo então a matéria objeto da primeira discussão.
ORADORES - "Pela ordem, fez uso da palavra o vereador José Ribeiro de Souza, que apresenta seu ponto de vista contrário à mudança do atual local. O vereador Renê Camargo de Azambuja também faz uso da palavra, defendendo seu ponto de vista, apoiando José Ribeiro de Souza. Os vereadores Jorge Amin Maia, advogado Juvenal Cantador, Henrique Victor Giublin e os demais fizeram uso da palavra, todos falando a respeito, tornando calorosa a discussão. Finalmente o presidente põe a questão em votação simbólica. Assim, são favoráveis ao projeto do bispo Dom Geraldo os vereadores Jorge Amin Maia, Hildebrando Pereira de Camargo, Henrique Victor Giublin, Romeu Beligni e José Martins de Oliveira (5). Contra a mudança de local votaram os vereadores advogado Juvenal Cantador, José Ribeiro de Souza, René Camargo de Azambuja e Eliseu Cilião de Moura (4). Prevalecendo o ponto de vista de Dom Geraldo, a matéria foi aprovada em primeira discussão".
OBS: - Vale destacar que os vereadores Hildebrando Pereira de Camargo, representava o Distrito de Jandaia do Sul; Romeu Beligni, Araruva (Marilândia do Sul) Eliseu Cilião de Moura, Faxinal, que ainda pertenciam ao município de Apucarana.
FALCATRUAS - A propósito, contou José Martins de Oliveira em entrevista publicada no Jornal do Norte, edição de 28 de janeiro de 1987 "que tomei posse, mas não me adaptava as falcatruas políticas e para cumprir o mandato, constantemente pedia licença. Meu suplente era médico Marino Pereira. Há um outro fato engraçado. Eu era crente e sempre que tinha festas na igreja, os vereadores faziam barulho para me irritar. Em um dia de muito vento a igreja de madeira acabou sendo derrubada e por pouco não feriu gente. Eu disse que era castigo pelas gozações e ofensas à minha crença. Tempos depois o bispo de Jacarezinho enviou o projeto da Catedral para ser aprovado pelos vereadores. E foi justamente isso que desgostou muito, pois os edis queriam dinheiro da Igreja Católica para aprovarem o projeto. Eu não participei da falcatrua. Procurado pelo prefeito Carlos Massareto, disse que aprovaria e o fiz. Depois da reunião da Câmara, que funcionava na Praça Rui Barbosa, 210, altos do Edifício do Cinema, os vereadores disseram que eu havia ganho dinheiro e achavam que eu fora comprado. Tudo invenção. Terminei meu mandato a "trancos e barrancos" e não quis saber de mais nada. Não era coisa de gente séria", concluía.
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