Agenda Cultural                     .: Esta sessão é atualizada às sextas-feiras :.
      Francisco Soares Dias Sobrinho
 

Lord Lovat e Norte do Paraná - I

 

 

 

 

 

Caetano Munhoz 
da Rocha, 
presidente do 
Estado do 
Paraná, na época, 
vendeu as primeiras 
glebas para Companhia 
de Terras Norte do Paraná

 

 

Após cumprir sua tarefa de assessor de agricultura e reflorestamento junto a Missão Montagu, no período de 30 de dezembro a março de 1924, o agrônomo Simon Joseph Fraser - Lord Lovat - volta a fazenda do major Antônio Barbosa Ferraz Jr, que se dedicava à cultura do café na então Vila de Cambará. Acompanhava-o o engenheiro Gastão de Mesquita Filho, construtor do primeiro trecho de 29 quilômetros da Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, ligando Ourinhos a Cambará. Por conhecer muito bem a região, ele comenta "convidaram-me a fazer parte da comitiva que acompanharia Lord Lovat na sua viagem de observação ao Norte do Paraná. Recordo-me que viajávamos de automóvel e que freqüentemente o nosso convidado pedia que parássemos junto a uma lavoura de algodão, cujo aspecto naquele ano era excepcionalmente promissor. Descia e examinava os arbustos carregados, media os galhos e contava as maçãs em cada pé.

"Visivelmente encantado com a fertilidade das terras roxas, momentaneamente, Lord Lovat oferta ao major Barbosa Ferraz cerca de 15 mil contos de réis pelas suas terras. Na época, uma fortuna, mas ele recusou. Diante da recusa, Gastão de Mesquita chamava a atenção do visitante inglês para "as férteis terras que o Governo do Paraná, através do presidente Caetano Munhoz da Rocha (25-02-1920 a 25-02-1924) e (25-02-1924 a 25-02-1928) oferecia à venda por preços baixos, decorrentes da inexistência de transportes na região e se a compra fosse seguida do prolongamento da estrada de ferro - seus diretores não dispunham de recursos para levá-la avante - de maneira a garantir para os compradores da terra o escoamento de seus produtos, a valorização das áreas adquiridas podiam se tornar muito lucrativo o investimento. Instantes depois de receber o "não" do major Barbosa Ferraz, Lovat se dava conta da magnífica oportunidade para aplicar o capital inglês", sublinha Gastão de Mesquita Filho.

BRAZIL PLANTATIONS - Diante do que teve a oportunidade de observar em Cambará, Lovat não hesitou em passar um telegrama ao gerente da empresa Sudan Cotton Plantations Sindicaty, Arthur Hugh Miller Thomas, residente na capital do Sudan, África, para que ele seguisse para Londres ao seu encontro, a fim de discutirem a aplicação de capital inglês no Brasil. Ainda em 1924 em Londres, Lovat e seus companheiros fundavam a empresa Brazil Plantations Sindicaty Ltd, com o capital de 750 mil contos de réis, bem como uma subsidiária brasileira sob orientação dos advogados João Domingues Sampaio e Antônio de Moraes Barros, enquanto Arthur Hugh Miller Thomas organizava a Companhia de Terras Norte do Paraná e registrava seus estatutos no dia 24 de setembro de 1925, com o capital de mil contos de réis. Porém, o empreendimento inglês não deu certo.

PARANÁ PLANTATIONS - Todavia, como tudo o que já tinha sido feito não poderia sofrer solução de continuidade e com a decisão de não se erigir as atividades relacionadas com o plantio de algodão e partir decididamente para a colonização e venda das terras exigia um aumento de capital da Brazil Plantations Sindicaty Ltd., de duzentas mil para setecentos e cinqüenta mil libras esterlinas, diz o advogado João Sampaio "ficou assentado que ao invés de aumentar o capital da Brazil Plantations, que seria oportunamente desativada, fosse fundada a Paraná Plantations Company, a fim de levantar fundos de maior vulto para grandes empreendimentos que se projetassem de início a compra de terras e as estradas de ferro e de rodagens necessárias à penetração e a colonização, como elementos de desenvolvimento das plantações e da população."

GRUPOS ANTAGÔNICOS - Segundo Herman de Moraes Barros, filho do advogado Antônio de Moraes Barros "nos estudos preliminares elaborados ainda em 1925 quando meu pai examinou a legalidade dos títulos tas terras oferecidas à Companhia, demonstravam que a empresa deveria fixar seu campo de ação numa área situada entre os rios Paranapanema, Tibagi e Ivaí, que por aquela época era disputada ferozmente por grupos antagônicos constituídos por posseiros e por possuidores de concessões outorgadas pelo Governo do Paraná. Surgiu, portanto, em razão dessa contenda, o primeiro grande problema a enfrentar pelos colonizadores ingleses. Se não se eliminassem essas dúvidas, ninguém teria coragem de aplicar dinheiro na compra de terras que a Companhia pretendia lotear."

"O plano, posto em prática, visando o apaziguamento, foi dispendioso, mas seguro, com a aprovação prévia do Governo do Paraná, a Companhia adquiriu títulos de concessões, inseguros e posses referentes a uma área de 415 mil alqueires. Em seguida - continua Hermman - propôs às autoridades o seguinte: Se o governo nos vender essas terras pelos preços estabelecidos em lei, rasgaremos estes papéis discutíveis e acabaremos com o litígio que está retardando o desenvolvimento do Estado. Assim, embora pagando duas e até três vezes pelas terras, a Companhia assegurou a si e aos seus sucessores, o direito líquido e inquestionável sobre a terra negociada."

Assim, entre 1925 e 1927, a Companhia de Terras fez novas transações com o Governo do Estado, presidido pelo médico Caetano Munhoz da Rocha, somando um total de 515 mil alqueires de terras fertilíssimas, cobertas de mata.


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