
A primeira locomotiva
da Estrada de Ferro
São Paulo - Paraná,
chegou em Apucarana, no
dia 19 de abril de 1943
Como falharam as tentativas para cultivar algodão, os
ingleses voltaram os olhos para o que lhes demonstrava ser um dos melhores
negócios do mundo: a colonização. E para tanto, a Companhia de Terras Norte
do Paraná adotou diretrizes bem definidas. As cidades destinadas e se tornarem
núcleos econômicos de maior importância seriam demarcadas de cem em cem
quilômetros, aproximadamente, como acontece com Londrina, Maringá, Cianorte e
Umuarama. Entre estes, distanciados de dez a quinze quilômetros um do outro,
seriam fundados os patrimônios, a exemplo de Cambé, Rolândia, Arapongas,
Apucarana, etc. Afora o espetacular crescimento experimentado pelos núcleos
econômicos, que superaram todas as previsões, também os povoados
intermediários desenvolveram e transformaram-se em grandes cidades,
acompanhando o índice de extraordinário sofrido pela região.
Tanto nas cidades como nos patrimônios a área urbana
apresentava uma divisão em datas residenciais e comerciais. Ao redor das
áreas urbanas se situariam cinturões verdes, isto é, uma faixa dividida em
chácaras que pudessem servir para a produção de gêneros alimentícios de
consumo local, como aves, ovos, frutas, hortaliças e legumes.
Área Rural - Seria cortada de estradas vicinais, abertas de
preferência ao longo dos espigões, de maneira a permitir a divisão de terra
da seguinte maneira: pequenos lotes de 10,15 e 20 alqueires, com frente para a
estrada de acesso e fundos para o ribeirão. Na parte alta, apropriada para
plantar café, o proprietário de gleba desenvolveria sua atividade agrícola
básica: cerca de 1.500 pés por alqueire. Na parte baixa construiria sua casa,
plantaria a sua horta, criaria os seus animais para consumo próprio e formaria
o seu pequeno pomar. A água seria obtida no ribeirão ou em poços de boa
vazão.
As casas de vários lotes contíguos, alinhados nas margens
dos cursos d'água formariam comunidades que evitassem o isolamento das
famílias e favorecessem o trabalho em mutirão, principalmente na época da
colheita do café, que para a maioria dos pequenos produtores representava
lucro líquido de sua atividade independente, porquanto no decorrer do ano ele
viveria - consumindo o necessário e vendendo o supérfluo - das culturas
paralelas: arroz e milho plantados por entre as fileiras de café novo.
Pequeno Proprietário - Ele não agiria como o grande
fazendeiro de café, que produzia grandes safras e as comercializava nos
grandes centros, diretamente em São Paulo ou em Santos. Ele venderia seu
pequeno lote de sacas de café nos patrimônios, aos pequenos maquinistas, que
por sua vez comercializavam a sua produção nas cidades maiores, já com
representantes das casas exportadoras. Por outro lado, esse pequeno
proprietário não gastaria o dinheiro recebido como o grande fazendeiro, nas
grandes cidades. Ele o gastaria ali mesmo, no comércio estabelecido nos
patrimônios, gerando assim uma distribuição de interesses a uma circulação
local de dinheiro que constituiriam um salutar fator de progresso local e
regional.
Visita do Príncipe - O mais antigo funcionário da
Companhia, Gordon Fox Rule, também conta como foram os primeiros tempos da
colonização: "Um episódio interessante ocorrido durante a fase inglesa
na Companhia foi a visita que nos fez o Príncipe de Gales, que posteriormente
viria a ser o Rei Eduardo VIII da Inglaterra. Consta que ele era grande
acionista da empresa Paraná Plantations (que antecedeu a Companhia de Terras),
daí o seu interesse em visitar as terras do Norte do Paraná. Ele chegou
acompanhado de numerosa comitiva, na qual estavam incluídos Lord Lovat. Em
trem especial da Estrada de Ferro Sorocabana os visitantes viajaram até
Cambará, onde foram recepcionados na fazenda do major Antônio Barbosa Ferraz
Jr."
Os Índios - Ele conta também que "certa vez
paramos na estrada para encher de água o radiador do nosso fordeco e de
repente ouvimos de todos os lados, vindos da mata, o som de paus batendo nas
árvores. Eram os índios que então existiam nos arredores do que viria a ser
nossa progressista Londrina. Isso foi em 1930. Lembro-me bem de que todos
queriam correr, mas eu os acalmei e disse que fizessem tudo com naturalidade.
Pouco a pouco nos aproximamos do automóvel, sempre ao som das batidas nas
árvores, enchemos de água o radiador e zarpamos a toda velocidade. Nessa
época Londrina era uma clareira cercada de mato muito alto, com muito palmito
que comíamos preparados de várias maneiras durante nossa permanências no
lugar".
"Jardineira" - Em 1932, Celso Garcia Cid
trabalhava como motorista da Companhia, que a certa altura decidiu entregar os
serviços de transporte de compradores de suas glebas a quem se interessasse em
explorá-los e expandi-los para atender a outros viajantes. O motorista
percebeu a oportunidade, pediu demissão do seu emprego, comprou a velha
"jardineira" e lançou-se de corpo e alma a sua própria e trabalhosa
empreitada. E venceu.
Pioneirismo - A primeira caravana de compradores de
terras chegou ao Patrimônio Três Bocas (atual Londrina) em dezembro de 1929 e
era composta de oito japoneses que vieram acompanhados do agenciador de terras
da Companhia, Hikomo Udihara. Em 1930 surgiu a primeira casa de madeira de
Londrina, construída por Alberto Kock. Segundo um relatório da Companhia de
Terras, em 1935, já haviam 1.266 brasileiros, 479 alemães, 476 italianos, 434
japoneses, 216 espanhóis, 156 portugueses, 98 húngaros, 75 ucranianos, 60
thecos, 41 russos, 32 austríacos, 20 suíços, 19 lituanos, 15 romenos, 6
iugoslavos, 6 ingleses e pessoas de outros países, já tinham comprados lotes,
sítios e fazendas.
Estrada de Ferro - No início de década de 1930, os
trilhos de Estradas de Ferro São Paulo - Paraná, chegavam apenas até Jataí
(atual Jataizinho) a margem do Rio Tibagi, sendo necessário transpô-lo por
meio de uma balsa e depois percorrer cerca de 25 quilômetros de estrada de
rodagem até atingir Londrina.
A obra teve prosseguimento em 1932 a após a construção de
uma ponte em 1935, atingiu Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana,
onde chegou em 1943, Maringá, em 1954, Cianorte e Umuarama.