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Segredos da China: cultura de
exportação e especialização

A forte presença de empresas da China no mercado de bonés e de vestuário em geral assustou o setor em Apucarana no começo deste ano. Sem barreiras alfandegárias, os produtos chineses chegavam com preço mais baixo do que o praticado no mercado nacional, o que prejudicou os negócios dos empresários apucaranenses e de todo o País que atuam nesse ramo. Após pressão feita pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), o governo federal aumentou a taxação dos produtos importados e o problema foi amenizado. Além dos valores baixos, no caso do boné, a qualidade das peças chinesas chamaram muita atenção. Qual seria o segredo da China para conseguir um material de tanta qualidade? Justamente para conhecer a cadeia produtiva daquele país, um grupo de empresários do setor do boné participou recentemente de uma missão na China, organizada pelo Arranjo Produtivo Local (APL). Além da a 104ª Feira de Guangzhou (Canton Fair), os apucaranenses visitaram fábricas em Changai e trouxeram de lá informações que podem auxiliar no aumento do seus negócios por aqui.
O empresário Valdenilson Vado Domingos da Costa, presidente da ANIBB (Associação Nacional das Indústrias de Bonés, Camisetas, Brindes e Similares) afirma que o principal diferencial dos chineses está na “cultura de exportação” das empresas. “Eles estão no ramo há muito tempo e trabalham para o mercado externo. Assim, as empresas chinesas têm todos os tipos de produtos, desde os de alta qualidade até os mais simples”, afirma. Ele reconhece que os acessórios e a profissionalização dos funcionários chineses estão à frente de Apucarana. “Mas percebemos que as empresas de Apucarana têm todas as condições de competir em igualdade, basta que o governo brasileiro dê mais incentivos para compra de novos equipamentos e na especialização dos trabalhadores”. Vado lembra que a China, ao lado de Brasil e Coréia, são as três forças do setor no mundo. “O Brasil pode ser equiparado à Coréia, mas precisa ainda assimilar essa cultura de exportação dos chineses”, assinala, observando que todos os empresários da cidade deveriam fazer uma viagem como essa para “abrir mais a cabeça” para novas oportunidades de mercado.
O empresário Luiz Fernando Matiuzzi Lemos, dono de uma empresa de abas em Apucarana, também destaca a especialização dos trabalhadores chineses. “O grande diferencial mesmo está na mão-de-obra qualificada e barata. É inegável que os produtos têm muita qualidade, mas não é algo inatingível para as empresas de Apucarana”, opina. Ele observa que, por outro lado, os equipamentos brasileiros são melhores. “Tem máquina de costura lá com mais de dez anos de uso”, comenta.
Luiz Fernando mostrou-se surpreso com o tamanho das fábricas na China. “Algumas empresas produzem 500 mil bonés por mês, com funcionários morando dentro das fábricas em alojamento”, conta. Sobre a China, o empresário afirma que ainda está em “estado de choque”. “Tudo é gigantesco, desde a construção civil até o tamanho das fábricas”, conta.

Por dentro de uma empresa chinesa

Jian Papa
Enviado do Portal
do Boné a China

Os empresários da comitiva do Arranjo Produtivo de Apucarana terminaram a visita a China, conhecendo uma fabrica de bonés. Esse evento fechou um ciclo exploratório técnico, onde o objetivo principal era buscar novas tecnologias e possíveis parceiros comerciais para a cadeia produtiva apucaranense.
A empresa agendada foi a Pinnacle Mfr Group Ltda (PMG), localizada na grande Ghangzhou. Logo na entrada um grande aviso de que era proibido tirar fotos e pedir amostras de produtos. Fomos recepcionados pela representante de vendas, Dina Zhao. Ela nos conta que a PMG possui 400 funcionários e fabrica 500 mil bonés por mês, entre modelos adultos e infantis.
A estrutura da empresa, como a maioria visitada pela comitiva, é muito boa. Os funcionários da PMG, no entanto, que são de outras cidades tem alojamento, cozinha para fazer seu alimento e uma quadra de basquete à disposição. Não fomos informados se isso era descontado do salário das pessoas que usam a estrutura. O salário médio de uma pessoa em Ghangzhou é de 200 dólares.
A representante de vendas da PMG, Dina Zhao, levou os empresários para um show room. “Vimos bonés com bom acabamento, mas nenhuma novidade do que fazemos em Apucarana ou dos modelos que tivemos contato na Feira de Cantão”, disse o empresário Julio Cesar Mariano.
Os empresários conseguiram ter acesso ao setor de produção da PMG quando os funcionários tinham acabado o expediente. A novidade estava no setor de acabamento, onde os bonés são manuseados numa esteira automatizada. “Já as máquinas de costura devem ter bem mais 15 anos de uso. São equipamentos antigos e até ultrapassados se comparados ao parque industrial de Apucarana”, frisa o empresário Joaquim Rosa.
Nos outros setores da empresa não tivemos acesso. Conseguimos ter poucas informações sobre a tecnologia usada na empresa. Os bonés lisos fabricados pela PMG custam 1,20 dólares. A PMG é licenciada Disney e ainda fabrica peças de outras marcas, assim como de uma própria.

“Boné do futuro” tem até sistema de som
Os empresários apucaranenses que visitam a 104ª Feira de Cantão conheceram na China o “boné do futuro”. Confeccionado em vários tipos de tecidos e modelagens, ele se destaca por incluir um sistema de som de alta definição.
Os usuários vestem o boné e encaixam os fones de ouvido na posição mais confortável. Com um cartão de memória de 2 gigas, ele pode ser carregado com músicas ou arquivos de som através de uma entrada USB ou pelo sistema Bluetooth.
Outra novidade desse modelo é a possibilidade de carregar óculos de sol. A fabricante desse boné é a Everbright Corporation. Segundo a representante comercial da empresa, Jenny Zhao, esse modelo pode se encaixar a qualquer pessoa. “Tudo depende da modelagem do boné e o estilo de cada um para combinar as cores e os tipos de armação dos óculos”, explica Jenny.
O s empresários apucaranenses ficaram impressionados com a tecnologia empregada nesse boné. “É o boné do futuro e que certamente fará a cabeça de jovens e pessoas que praticam esportes. Isso por que é mais prático que um Ipod ou Mp3”, define o empresário Anderson Lino.
O preço unitário desse modelo, no entanto, é tão diferenciado quanto o estilo da peça. Para venda no atacado esse boné custa 40 dólares. “É o boné do futuro, que ainda chegará no Brasil”, frisa o empresário Luiz Fernando Matiuzzi Lemos. (JP)


 


 

 

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