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Mulher negra é tema de debate
Para incentivar a reflexão sobre o cotidiano da mulher negra e ajudá-la a transpor barreiras impostas pela sociedade, o Movimento Apucaranense de Consciência Negra (Macone) e o Coordenadoria de Articulação da Consciência Negra (CACN) realizam, no dia 30 de Agosto, no Sesc, em Apucarana, o “I Encontro Municipal da Mulher Negra”. Estarão presentes especialistas considerados referência nas áreas de Saúde, Religiosidade e Políticas de Ações Afirmativas.
A abertura oficial está programada para às 14 horas. Em seguida, se apresentará uma roda de capoeira do Grupo Muzenza. As discussões terão início às 14h30m, quando será formada uma mesa redonda com especialistas de cada assunto a ser abordado. Foram confirmadas as presenças da enfermeira Cíntia Aparecida Marques Martins Novaes (Saúde da População Negra), da antropóloga social Helena Maria Andrei (Religiosidades), e da advogada Dora Lúcia de Lima Bertullo (Políticas de Ações Afirmativas).
De acordo com o conselheiro fiscal e fundador do Macone, Paulo Pasce, foram convidados profissionais que são referência em suas especialidades. “Reunimos o que há de melhor em cada temática, profissionais muito respeitados dentro da militância”, informa. “Queremos, com isto, colocar a mulher negra no cenário das discussões, refletindo sobre os principais assuntos de seu cotidiano”, complementa.
Depois das palestras, o espaço será aberto para o debate entre convidados e público presente. O encerramento está marcado para 17h30m, com coquetel e apresentações artísticas. O evento tem entrada franca e conta com o apoio do Núcleo Regional de Educação, Secretaria da Mulher e Assuntos da Família e Prefeitura Municipal de Apucarana. Mais informações, pelo telefone (43) 34221323.
O racismo ainda
é o maior desafio
A discriminação e o racismo ainda são os maiores desafios para a ascensão do negro brasileiro na sociedade, na opinião do conselheiro fiscal e fundador da MACONE, Paulo Pasce. Esse assunto terá espaço garantido na pauta de discussões do encontro. A advogada Dora Lúcia de Lima Bertullo, que é procuradora da Universidade Federal do Paraná, comandará os debates.
“Os negros ainda recebem metade do salário de um branco, apesar de, muitas vezes, estarem igualmente qualificados”, diz Paulo Pasce. Para ele, é o respeito que deve prevalecer nessas relações sociais. “Não estou nem aí se o branco não gosta do negro, quero é ser reconhecido como diferente e ter meus direitos respeitados”, reivindica.
Mas, apesar das barreiras, Pasce diz que o balanço dos trabalhos do movimento é positivo. “Nesses sete anos em que existe o movimento já levamos a voz da consciência negra a mais de 10 mil pessoas”, informa.
Saúde da População Negra também será debatida
A despeito da beleza típica e da força evidenciada principalmente nos esportes, a raça negra também detem peculiaridades pouco desejáveis. A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária que acomete predominantemente os afro-descentes. Essa temática também será abordada durante o “I Encontro Municipal da Mulher Negra”.
De acordo com a enfermeira Cíntia Aparecida Marques Martins Novais, anemia falciforme é caracterizada pela má formação das hemáceas, que ajudam a transportar o oxigênio pelos tecidos do corpo. “As pessoas com esta patologia tem algumas dessas hemáceas em forma de foice – daí o nome ‘falciforme’ – e, uma vez agregadas, dificultam a passagem de oxigênio e nutrientes importantes”, diz. Entre complicações decorrentes da doença, estão infecções nos ossos, garganta e pulmões que podem ser fatais.
Conforme Cíntia, que pesquisa sobre a saúde da população negra, são escassos os dados sobre a incidência da doença no Brasil. “Não temos muitos pesquisadores nesta área, o que impossibilita ações preventivas”, lamenta. De acordo com ela, eventos, como o do dia 30, também servem para reivindicar providências. “Queremos mobilizar a sociedade e cobrar das autoridades um programa de atendimento coerente”, diz.
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