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Falta constante de água traz transtornos em Arapongas

As constantes interrupções no fornecimento de água em Arapongas têm causado transtornos à população. Moradores que não podem pagar por caixas d’água para armazenar o líquido durante as suspensões que chegam a durar dias, são obrigados a recorrer a favores de vizinhos para realizar tarefas básicas do dia-a-dia. A gerência da Sanepar, empresa responsável pelo tratamento e fornecimento de água no Paraná, afirma que as interrupções se devem à poluição da Bacia dos Apertados, que abastece o município, e a modernização do sistema de captação. Esse processo deve durar até meados de 2009.
A primeira interrupção no abastecimento de água em Arapongas aconteceu em agosto, quando foi sentido um forte cheiro após ocorrência de chuva. A partir de então, em sete oportunidades o problema prejudicou a população. A falta de água durante de 12 horas a dois dias, dependendo da região. Muitas pessoas compram caixas d’água para minimizar o transtorno. Nos últimos 4 meses, a venda desse em uma loja especializada da cidade cresceu 80%. “Muitas vezes, são tantos os pedidos que temos que pedir paciência para os clientes”, revela o funcionário Everton Pereira da Silva.
Quem mais sofre com a falta de água são famílias carentes. O pedreiro José Carlos de Souza, morador do conjunto Palmares, zona sul da cidade, há 3 anos, conta que toda vez que acaba a água no bairro é um “Deus nos acuda”. Como não pode comprar equipamentos para armazenar o líquido, é obrigado a recorrer à “boa vontade” dos vizinhos. “A gente leva um galão e pede água para os vizinhos que têm a caixa d’água. Às vezes deixamos até de tomar banho, porque, como é pouca água, usamos para beber mesmo”, diz Souza.
Mais difícil é a situação da dona de casa Maria Aparecida da Silva. Como mora na Vila Aparecida, bairro mais elevado geograficamente, quando há interrupções, sua casa e de seus vizinhos são as primeiras a terem o fornecimento cortado. Ela também não tem caixa d’água. “É um problema muito sério porque fica difícil lavar roupas, louças e tomar banho. Por mais que sejam poucos dias a gente sente falta. Nossa sorte é que temos uma amiga que tem um poço em sua casa, mas queria que isso voltasse logo ao normal”, deseja.

Causas das interrupções

Para descobrir a origem do forte odor que provocou as primeiras interrupções no abastecimento de água em Arapongas, foram realizadas reuniões com órgãos de defesa do meio ambiente e, em seguida, formada uma força-tarefa para verificar a real extensão do problema. A suspeita era de que agrotóxicos estariam poluindo a Bacia dos Apertados, que abastece a cidade. A investigação mostrou um problema ainda mais sério.
Além da falta de matas ciliares, que protegem os leitos dos rios, foram encontrados resquícios de BHC, agrotóxico altamente poluente e proibido desde a década de 80, e foi apurado que alguns criadores estariam atirando restos orgânicos de animais nos rios. Proprietários rurais ainda estariam captando água diretamente do rio para abastecer o tanque dos tratores que passam veneno na plantação, sendo que uma parte dessa água volta para o rio.
Um produtor rural do Assentamento Dorcelina Folador, pertencente à Bacia, que preferiu não se identificar, afirma que existem vizinhos do assentamento atiram até restos de porcos em rios. “Isso causa um cheiro muito forte nos arredores e também polui muito o meio ambiente. É uma vergonha”, diz.
De acordo com o gerente da Sanepar, em Arapongas, Luiz Alberto da Silva, foram detectadas irregularidades em cerca 40% das propriedades dos 700 mil hectares que formam a bacia. Ele diz que os responsáveis foram notificados e o montante das multas ultrapassa os R$ 6 mil. “Ficou estabelecido que 40% desse valor seriam perdoados e o restante deverá ser investido para a preservação da própria microbacia”, revela Silva. Ele acrescenta que todas as vezes que houver suspeita de poluição, o abastecimento deverá ser interrmpido. “Sabemos que existe o transtorno, mas esses cuidados são importantes para o próprio bem dos usuários”, pondera.

“Processo de modernização”

O gerente da Sanepar, em Arapongas afirma que o motivo das últimas interrupções no fornecimento de água foram problemas técnicos do sistema de tratamento da cidade. “Tivemos o rompimento de algumas peças, como uma tubulação de 450 milímetros de diâmetro. É uma peça de alta complexidade”, justifica.
De acordo com ele, a estação passa por um processo de modernização que deve se prolongar até meados de 2009. “Faremos a substituição geral dos equipamentos por outros mais resistentes e colocaremos mais uma bomba de reserva. A próxima manutenção deverá acontecer daqui a seis meses, será no inverno para aproveitarmos o baixo consumo de água”, adianta Silva.
Para minimizar os transtornos à população, a Sanepar deve construir um novo reservatório com capacidade para três milhões de litros de água, na rua Perdizes. A obra custará R$ 2 milhões. A empresa pretende construir ainda uma estação de distribuição de 600 mil litros no Conjunto Palmares e outro reservatório de 4 milhões de litros. “O governador Roberto Requião assinou um decreto que determina que a Bacia dos Apertados é área de abastecimento público. Com isso, as precauções serão ainda maiores”, finaliza.


 

 

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