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Imóveis antigos em área central provocam debate em Apucarana

Cássio Gonçalves

A reforma do Cine Teatro Fênix reforçou um contraste há muito tempo percebido pelos cidadãos apucaranenses. Enquanto se erguem edificações modernas no centro da cidade, prédios construídos nas décadas de 50, 60 e 70 prejudicam a aparência e oferecem perigo a moradores e funcionários de estabelecimentos comerciais. Alguns deles foram apenas pintados, mas mantém a estrutura original. A reforma dessas instalações é recomendada pelo Corpo de Bombeiros.
O aposentado José Alves de Oliveira afirma que a reforma é responsabilidade dos donos do prédio. “Isso deixa a cidade muito feia. A reforma é extremamente necessária”, defende. Para o supervisor de trânsito Júlio César Ferreira, 34 anos, em alguns casos a reforma não será suficiente para solucionar o problema dos prédios antigos. “Dependendo do caso, acho que se deve demolir o prédio e construir algo melhor no lugar”, opina.
Em 2006, o Instituto de Desenvolvimento e Planejamento de Apucarana (Idepllan), realizou um levantamento dos procedimentos de aprovação de obras enviados à prefeitura. A partir da aprovação do órgão, a construtora tem um ano para edificar o prédio. Dos 72 pedidos, dezesseis são anteriores a 1976, data em que começa a valer a maioria das regulamentações de segurança das estruturas. “Isso não significa que as obras foram feitas, mas é um indício de que elas começaram”, explica o supervisor de planejamento urbano, Anderson José Bellini.
No Corpo de Bombeiros de Apucarana existe um setor responsável em verificar o cumprimento da legislação de segurança de edificações. Dos 56 prédios vistoriados desde o começo do ano, oito não se adequam às determinações. As principais pendências encontradas estão na parte elétrica antiga e sem manutenção, inexistência de central de gás, extintores vencidos, inexistência ou precariedade da iluminação de emergência e da rede de hidrantes para combate a incêndios.
De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros de Apucarana, alguns desses edifícios até passam por pequenas reformas, mas, em muitos casos, elas são insuficientes. “Os síndicos até pintam, compram uma roupa bonita para o prédio, mas as reformas estruturais necessárias não são feitas”, afirma o capitão Hemerson Saqueta Barbosa. Ele informa que será realizada uma reunião para orientar os responsáveis pelos prédios. “Se o problema persistir, em casos extremos, a prefeitura, o Ministério Público e o próprio Corpo de Bombeiros podem adotar medidas punitivas”, explica.

 

Prédio mal cuidado em pleno centro


Um dos pontos visivelmente mais críticos é o cruzamento entre a Rua João Cândido e Avenida Curitiba, em frente a Praça Rui Barbosa. São dezenas de estabelecimentos comerciais, onde a pintura nova contrasta com estruturas precárias. O comerciante Itamar Custódio Nascimento administra um bar nas proximidades há 14 anos e concorda que o prédio precisa de reformas. “Deveria ser reformado tudo por uma questão de beleza e de segurança, desde que sejam preservados os pontos de quem está estabelecido”, diz.
O barbeiro Alcides Moreira trabalha há 40 anos na localidade e lembra que em todo esse tempo foram feitas apenas pequenas reformas no prédio que divide com mais dezesseis salas comerciais. “É preciso que haja uma decisão em conjunto porque são vários os donos. Sempre se fala em reformas, mas nunca sai da conversa”, revela. A apucaranense Adélia Santos de Castro, que atua como comerciante há 34 anos no mesmo ponto, é mais radical. Ela acha que não existe outra solução a não ser a demolição. “É um local que oferece muito perigo a quem passa por aqui. Como não aparece ninguém para reformar, acho que o prédio merece ser demolido de uma vez”, assinala.
Além da estética e da segurança, a reforma em prédios antigos da área central pode oferecer uma recompensa no bolso. Um exemplo é a Lanchonete Holandeza, no mesmo prédio do Cine Teatro Fênix, que passou recentemente por amplas melhorias. Segundo o proprietário, Thiago Previtau, o investimento pesado que foi necessário se mostrou benéfico de maneira imediata. “Não posso dizer que foi barato, mas tivemos uma mudança de público. Foi um ganho de 100% em movimento”, revela Previtau.
Donos de prédios foram procurados pela reportagem para colocar seus posicionamentos, mas não retornaram a ligação até o fechamento desta edição.


 

 

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