região
 

 

Coqueiral: uma localidade abandonada em Arapongas

Moradores do Recanto do Coqueiral, na região sul de Arapongas, convivem com um dilema. A localidade é considerada pela Prefeitura como zona rural, mas está mais perto do centro da cidade do que muitos bairros, como os conjuntos Flamingos e Palmares. Por considerar o Coqueiral como zona rural, os moradores reclamam que estão abandonados pelo poder público. As famílias reclamam que a prefeitura não leva para o local nem a infra-estrutura básica, como saneamento básico, pavimentação e até telefone fixo.
Existente há doze anos, o Coqueiral foi projetado para ser um condomínio residencial fechado. No entanto, o dono do terreno desistiu da idéia porque a maioria dos moradores não tinha poder aquisitivo suficiente. Hoje, cerca de trinta famílias vivem no bairro. Apesar de haver algumas plantações e criação de animais, os moradores tiram seu sustento do trabalho na cidade.
O principal problema é o acesso à área urbana. A estrada Pica-Pau Velho, única opção, não tem iluminação nem asfalto. Além da poeira e da lama, os habitantes ficam expostos a riscos para a própria segurança. “Na semana passada, um vizinho ficou mais de uma hora caído no chão depois de sofrer um acidente com sua moto. Chamamos três vezes a ambulância e ela não apareceu. Ele só foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros”, conta a dona de casa Jandira Ladislau, que mora há oito anos no local. O pintor Nilton Geraldo, que usa a estrada quatro vezes por dia, teve que largar os estudos em 2006, por causa dos riscos que a estrada oferece. “Era perigoso descer naquela escuridão. Quando chove, fica praticamente impossível transitar. Já pedimos um ônibus para prefeitura levar os estudantes, mas eles disseram que o número de estudantes tinha que ser maior. Mas, hoje, já temos gente suficiente”, afirma. O acesso difícil também dificulta a comunicação dos habitantes do Coqueiral com o resto do mundo. Além de não existir linhas de telefone fixo, mais baratas, o orelhão mais próximo fica a quase dois quilômetros das casas. “O correio só entra aqui para entregar as contas de energia. Para receber ou enviar correspondências temos que ir até a cidade”, diz o pedreiro Luiz Antônio do Nascimento, enquanto ajuda a erguer mais uma casa no Recanto.
De acordo com o presidente da associação de moradores do local, Marcos Antônio Ferreira, a urbanização do Recanto do Coqueiral é uma reivindicação antiga que vem sendo postergada pelo poder público reiteradamente. Ele conta que existia um projeto para ser executado ainda neste ano, mas, devido às eleições, será mais uma vez adiado. “A gente depende da prefeitura. Eles só falam em projeto, mas que não sai do papel”, diz.
O comerciante Valdemir Gonçalves Vieira será nos próximos meses o mais novo morador do Coqueiral. Sua casa ainda nem ficou pronta e já está preocupado com a infra-estrutura do local, que escolheu pela beleza. “Temos conversado com alguns vereadores e existe somente promessas de melhoras. O que precisamos é de pessoas corajosas para fazer alguma coisa por nós. A esperança é a última que morre”, resume.

 

 

 

 

 

 

 

VOLTAR