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Cineasta de Arapongas produz série de TV inspirada em música
Cássio Gonçalves
O baixo orçamento e falta de incentivos não têm sido obstáculo para um grupo de atores araponguenses que gravam desde o início da semana o filme “A História do Milagre do Ladrão”. A produção deve integrar uma série a ser transmitida em televisão. Responsável pela trama, o produtor, diretor e roteirista Luiz Carlos Locatelli afirma que o objetivo do trabalho é mostrar para região e também para o Estado um pouco da cultura rural. A obra faz parte do projeto “Em cada canto há um conto”, que deve levar para as telas canções e histórias populares.
No total, trinta pessoas estão envolvidas no projeto. Os atores são figuras conhecidas da comunidade que montam o próprio figurino. Locatelli já teve um filme transmitido pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), afiliada da Rede Globo, e ficou em sexto lugar no concurso de novos talentos da Rede Record, que premiou Gisele Joras com a veiculação de sua novela, “Amor e Intrigas”. Ele produz os cenários das tomadas internas num cômodo nos fundos de sua casa. Por enquanto, não há cachê. No entanto, o baixo orçamento não intimida nem reduz a sensibilidade dos artistas. Ao contrário, é combustível para uma cultura ávida por expressão.
“A História do Milagre do Ladrão”, baseada em música homônima de autoria dos sertanejos Léo Canhoto e Zilo, mistura drama com pitadas de humor. Ela conta a saga de Curiango, um garoto de 10 anos, paraplégico desde nascença. A deficiência o impede de realizar as atividades mais corriqueiras, como brincar com os amigos e com a irmã, Ritinha, no rio que corta o sítio onde mora. O sonho de um dia andar é nutrido pelas orações de Rosa, sua mãe. Trabalhadora e dedicada à família, ela passa a Curiango valores como fé e esperança.
“Rosa é uma mulher, como muitas no mundo, que enfrenta as dificuldades com coragem, determinação e fé em Deus em nome de sua família”, afirma Alecsandra Ramos Cereia, atriz que interpreta a personagem. Uma das principais batalhas de Rosa é lutar contra a revolta do marido Chico. Alcoólatra, o homem se mete constantemente em brigas nos bares onde freqüenta por se considerar culpado pela situação do filho. “É o típico exemplo daquelas pessoas que se drogam para não enfrentar a realidade”, explica Billy Silveira, que faz o papel de Chico.
O desenrolar do enredo é conhecido para quem já ouviu a música. Mas, ainda assim, Locatelli garante que quem assistir até o desfecho será recompensado com um banho de emoções. “É uma história que aborda a fé e questões sociais de pessoas que vivem em condições precárias mesmo. O final do filme está cheio de emoções positivas”, adianta Locatelli, que pretende transformar a história num especial de final de ano transmitido por emissora local ou regional a ser definida.
“Em cada conto há um conto”: cultura popular
“A História do Milagre do Ladrão” é apenas o início da caminhada. O diretor, produtor e roteirista do filme, Luiz Carlos Locatelli, quer caprichar na produção da obra para que ela viabilize um objetivo ainda maior. Já no começo do ano que vem ele pretende dar início ao projeto “Em cada canto há um conto”, que visa transformar canções populares em uma série de filmes para televisão. Serão dramas, romances e comédias que terão a vida no campo como pano de fundo.
Locatelli conta que, uma vez produzidas, buscará que as obras sejam exibidas nas tevês públicas de Arapongas e região e, dependendo do acabamento que elas tiverem, procurará também emissoras maiores. Uma outra possibilidade é levar os filmes para cidades pequenas que conhecem a realidade rural e exibi-los em praça pública. “Por isso, adotamos uma linguagem que pode entendida em todos os lugares. Agimos localmente para atingir universalmente”, filosofa.
Para que o objetivo se concretize, Locatelli buscará incentivos de empresas e do poder público, baseando-se na lei de incentivo à cultura. “Esperamos que os incentivos venham porque a obra contará um pouco de nossa história, coisas do homem da roça, da nossa origem. Além disso, este é um trabalho de Arapongas, feito somente com pessoas daqui”, afirma.
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