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Falta de vagas nas creches tira
o sono das mães em Arapongas

A falta de vagas nas creches municipais de Arapongas está tirando o sono de muitas mães da cidade. O déficit está provocando um problema ainda maior na cidade. Sem ter onde deixar os filhos, muitas mães estão precisando deixar o emprego para poder cuidar das crianças.
Mãe de três filhos, Cleide da Costa Assis, sabe o que a falta de vagas nas creches representa. Desde novembro do ano passado, aguarda um lugar para a filha de dois anos no Centro Educacional Clementina dos Santos Soares, no Jardim Colúmbia III. “Toda mãe gostaria de cuidar do filho, mas a gente precisa trabalhar para o próprio sustento deles”, diz. Ela conta que, se não encontrar logo uma vaga, terá que abandonar o serviço. “Antes, meu marido estava desempregado e era ele quem cuidava. Agora, ele está trabalhando, mas não temos com quem deixar a criança”, lamenta.
Nayara Cristina Ramos também conhece essa situação. Mãe solteira, ela tem que arcar sozinha com as despesas de seu filho de um ano. Depois de aguardar por cerca de 12 meses na lista de espera, ela conseguiu uma vaga com uma certa “ajudinha extra”. “Vendo meu sofrimento, meu pai procurou um vereador da cidade para resolver o problema. Em duas semanas ele já estava dentro da creche”, informa. Mas esse favorecimento não evitou alguns desgastes. “Foi péssimo. É muito difícil ver o filho passando necessidades sem ter como procurar emprego”, diz.
Para tentar compreender a extensão do problema, o Correio do Vale pediu a um pai de família que telefonasse para todos os dezesseis Centros Educacionais Infantis relacionados no site da Prefeitura de Arapongas à procura de vaga. Orientados pela Prefeitura, coordenadores de oito unidades se recusaram a falar sobre o assunto por telefone. Em três ocasiões, porém, os responsáveis pelas creches deixaram escapar que não existem vagas. Nas outras seis tentativas eles não foram encontrados.
Para se ter uma idéia da dificuldade, até um clube de serviço, no centro da cidade, que cobra R$ 20 pela estadia, enfrenta dificuldades em integrar mais crianças. Uma das responsáveis que pela creche disse que o berçário é que enfrenta a maior escassez de oferta. Os Centros Educacionais Infantis particulares procurados têm vagas disponíveis, mas a permanência em tempo integral chega a custar R$ 200 por mês.
Um dinheiro que Maria Rosemari não pode pagar. Mãe pela primeira vez, ela resolveu procurar um emprego para ajudar o marido com as despesas. Como não poderia cuidar da criança que estava com quatro meses, cadastrou seu nome na creche do Caic (Centro de Assistência e Integração a Criança). Desde então, já se passaram sete meses, e ela ainda está na lista de espera. “Eles dizem que ainda têm umas 20 pessoas na minha frente. Isto é uma vergonha. Já perdi um serviço por não ter com quem deixar meu filho. E, assim como eu, existem muitas mães querendo trabalhar. Acho que deveriam aumentar as creches e contratar mais funcionários”, desabafa.
O Correio do Vale procurou a Prefeitura de Arapongas para ouvir o posicionamento dos responsáveis, bem como, obter números que tragam à luz a verdadeira extensão do problema, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

 

 

 

 

 

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